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Adotei um peludo resgatado, e agora?

Que adotar um cachorro ou gato é tudo de bom e gente já sabe. Filhote, adulto, sem raça, de raça, tanto faz, a alegria é a mesma e aquele frio da barriga de “será que vai ser tão maravilhoso quanto eu espero?”, também.

Abril é o mês da prevenção contra a crueldade animal, e com isso temos mais companhas de adoção, mais debates sobre o assunto e mais pessoas se sensibilizando e tomando a decisão de dar um lar para um bichinho que teve um começo de vida difícil, ou passou por momentos tristes. Isso é bom demais, e esse texto veio para ajudar quem tem dúvidas ou inseguranças a respeito de como fazer a adaptação de um pet que vem de situação não ideal, ou seja, não nasceu numa casa quentinha, com pessoas cuidando da sua mãe e da ninhada com amor e carinho.

Então aqui vão algumas dicas importantes para ajudar neste novo começo. Elas são válidas em todos os casos, mas hoje darei mais foco nos casos das adoções de resgatados.

Se você optou por adotar um filhote, provavelmente ele não faz ideia do que aconteceu a sua volta, e mesmo que faça, tem condições de superar tudo rapidamente. Se ele estava com a mãe até a adoção e era bem pequeno, sua história não fará grande diferença em seu temperamento. O mesmo vale para os já maiorzinhos, mas que tiveram atenção e suporte após serem resgatados. Estes deverão ser criados da mesma forma que um filhote adotado ou comprado em situação normal. O único caso mais complicado com filhotes é se for um cachorrinho e tiver sido separado da mãe e dos irmãos antes dos 50 dias.

Nesse caso, ele poderá demonstrar algum dos comportamentos típicos desta situação (infelizmente muita gente, e até supostos criadores, separam os filhotes muito cedo, mesmo em situação normal). Estes filhotes são muitas vezes mais ansiosos e mais dependentes, mordem muito as mãos e os pés das pessoas, têm mais dificuldade para aprender o lugar do xixi e são mais propensos a terem problemas para ficarem sozinhos. Esses comportamentos deverão ser encarados com calma e, se preciso, com ajuda de um bom profissional. Todos eles podem ser resolvidos em pouco tempo, basta paciência e perseverança!

Já no caso dos adultos, normalmente não sabemos como foi sua criação, que condição de vida ele teve, e que experiências passou, então é muito importante dar a ele (e a você) as melhores condições de adaptação. Os adultos precisam muito de nossa ajuda, pois menos gente se interessa por eles, apesar de serem uma melhor opção em muitos casos. Em nosso texto https://blog.petchef.com.br/diversos/como-escolher-um-cao/ falamos sobre as vantagens de se adotar um cão adulto e sobre como escolher este novo amigo, dê uma olhada.

Então, indo ao ponto, se você resolveu abrir sua vida a um peludo necessitado, tenha algumas coisas em mente:

Você sabe que o resgatou, e que ele terá uma boa vida daqui para frente, com toda a estrutura e amor, mas ele não sabe. Alguns cães ou gatos ficam bem logo, felizes e relaxados como se tivessem sido seus a vida toda, mas alguns precisam de um tempo. Alguns ficam inseguros, outros quietos e distantes, outros ansiosos e agitados e alguns até agressivos. Dê um tempo a ele. Um tempo para conhecer a casa, conhecer as pessoas, conhecer a rotina, os novos cheiros e tudo mais que vem junto com uma nova realidade. A melhor forma de fazer isso é tratá-lo com naturalidade, mas sem forçar muita intimidade por alguns dias. Mostre a dele um cantinho seguro e confortável, para quando ele quiser se recolher. Dê comida, leve-o para passear (no caso dos cachorros), escove-o se ele gostar, e incentive-o a ficar perto de você, mas sem tentar ficar de chamego ou pegar no colo o tempo todo. Se ele estiver tímido, jogue uns petiscos para ele e depois incentive-o a vir pegar outros na sua mão. Por outro lado, se ele só quiser ficar no colo, incentive sua independência, dê uma caminha para ele, coloque-o no chão e jogue os petiscos para ele. Se a família tem crianças, explique para elas a situação, e que por mais fofinho que o cachorrinho ou gatinho seja, ele precisa de espaço para se adaptar. Daqui a um tempo, ele estará apto a brincar o quanto elas quiserem, mas talvez não nos primeiros dias. Em uma ou duas semanas ele vai perceber que está seguro, que existe uma rotina e vai relaxar.

Lembre-se que para uma adaptação mais rápida, é importante que você seja constante, assim como as regras da casa. Se ele pode subir no sofá, pode sempre, e não só agora que acabou de chegar, ou quando ele está cheiroso. Então o melhor é pensar bem em quais serão as regras, e ser constante desde o primeiro dia. Onde ele vai dormir? Onde vai comer? Qual o lugar certo do xixi? Pode subir na cama? No sofá? Pode pular nas pessoas? Pode latir na janela? Qual a hora de dormir? Quantos passeios ele fará por dia? Ele ganha comida da mesa?  Resolva isso tudo e cumpra o que resolveu. Lembre-se: cada vez que você “não resiste” e faz uma concessão, está confundindo o cachorro e não fazendo um agrado a ele.

Regras são importantes para eles, fazem com que se sintam seguros, com uma noção clara do que pode e o que não pode. A pior coisa para um cão é a dúvida. Gatos lidam melhor com as nossas inconstâncias, pois precisam menos de regras para se sentirem seguros, mas também merecem clareza na comunicação.

Cães e gatos têm uma enorme capacidade de fazer associações e aprender, usam causa e efeito para determinar seus gostos e aversões, e para qualificar o mundo. Sendo assim, eles têm uma enorme capacidade de mudar, de superar e de viver no presente.

Mas para que isso aconteça, nós, humanos, temos que dar a eles a chance de mudar. Para isso, temos que esquecer o passado, e focar no presente.

Se cada vez que o Rex late para alguém na rua, ou avança numa visita, ao invés de corrigi-lo e ensiná-lo a não fazer isso, eu penso “coitadinho, ele foi maltratado no passado, por isso não gosta de estranhos”, estou negando a ele a possibilidade de mudar, e eternizando um comportamento que o estressa. Já se eu o obrigo a se comportar bem na presença dessas pessoas e ficar calmo, ele vai perceber que nada de mal acontecerá. Com algumas repetições desta situação, ele perceberá que estranhos não são mais perigosos, e que ele pode relaxar na presença dele, e quem sabe até ganhar umas guloseimas.

Ou seja, a partir do momento em que levar seu novo amigo para casa, esqueça o passado dele e possíveis tristezas ou traumas. Cães não têm traumas, humanos têm. Cães aprendem que uma situação foi ruim, ficam com medo dela. Mas eles podem reaprender e esquecer, é só a gente ensinar e reforçar. Foque no futuro.

O que é preciso para que ele seja feliz daqui para frente? Exercício, socialização, convivência, segurança, carinho.  Mostre a ele como deve se comportar em cada situação, mesmo que tenha que amorosamente obrigá-lo a obedecer. Não dá para argumentar, nem para convencê-lo na conversa, tem que obrigar mesmo, de forma calma, carinhosa e firme, sem violência, com paciência. Saiba que é para o bem dele e ele logo perceberá isso também e esquecerá o passado.

Outra coisa importante é não tratá-lo como um “coitadinho”, por conta de um passado difícil. Trate-o com amor, respeito e bom senso, mas da mesma forma que trataria um cão bem nascido e bem criado, que nunca teve um problema na vida. Justamente por ter tido um passado instável, ele precisa de segurança, estabilidade e liderança. Ele precisa ter certeza de que de agora em diante está seguro, pois alguém cuida dele e mantém a vida sob controle.

Não se permita viver com pena dele, protegendo e alimentando seus medos e neuroses, é pior para ele. Ele é um cão de sorte, afinal, achou você! Então ajude-o a esquecer o passado e festejar o lindo futuro que tem pela frente.

Como vimos lá em cima, você sabe que é o novo responsável dele, mas ele não, então invista na relação. Programe-se para ter tempo para caminhadas todos os dias, só vocês dois, com tempo para conversas e carinhos, quem sabe até uma água de côco. Se possível procure aulas de obediência em grupo uma vez por semana, é um programa divertido e vai dar a você a chance de observá-lo em meio a outros cães e pessoas, e corrigir os comportamentos inadequados que ele possa ter. Se a casa tem crianças, elas podem participar das aulas e aprender a melhor forma de se comunicar com ele. Treine um pouquinho em casa todos os dias, e verá que a relação vai se fortalecer num instante.

Por mais terrível que tenha sido a situação da qual um cão ou gato foi resgatado, se você tomou decisão de adotá-lo, ele agora é sua responsabilidade, e para o resto da vida. Do momento em que você o adotou, tirou dele a chance de ser adotado por outra pessoa, então tem que dar a ele uma boa vida. Check-up veterinário, vermífugos, vacinas, exames, remédios e castração são responsabilidades suas, direitos dele. Pense bem antes de tomar a decisão, não entre na onda de amigos ou campanhas de televisão, é uma vida que está em jogo, vida esta que dependerá de você de agora em diante. A pior coisa que pode acontecer para um cão ou gato resgatado é um novo abandono, ou ficar pulando de casa em casa, então pense bem. Você tem tempo? Espaço? Disposição? Recursos? Continuará tendo tudo isso num futuro próximo? Leve tudo isso em conta antes de assumir a responsabilidade de dar um lar para um ser que dependerá totalmente de você. Não tem? Pense em fazer lar temporário ao invés de adotar, converse com uma ONG próxima e veja como funciona. É um trabalho super importante para as ONGs, e que não exige uma decisão definitiva sua.

Eu acredito que os animais são anjos, que foram colocados na Terra para tornar nossa existência mais fácil. Se um desses anjos cruzou seu caminho e seu coração disse “esse é meu!”, você é uma pessoa de sorte. A companhia de um cão ou de um gato deve trazer felicidade, deve ser uma solução e não um problema em nossas vidas. Então, siga as dicas acima, e as outras disponíveis no nosso Blog e em outros. Mostre a seu anjinho como ele deve se comportar no mundo dos homens, para que ele se adapte e possa usufruir da sua companhia e de seus amigos em todos os momentos. Te garanto que é tudo que ele mais deseja.

Um grande abraço,
Daniela Prado
Sócia Fundadora Okena PetChef
Treinadora Comportamentalista LordCão Treinamento de Cães

Por que meu cachorro não pega a bolinha?

Outro dia na praia vários cães brincavam. Uns nadavam, uns cavavam e outros jogavam bolinha com seus responsáveis. Uma amiga perguntou: “Por que alguns cachorros adoram essa coisa de pegar bolinha e outros não estão nem aí? “

Por incrível que pareça, a resposta é … genética! Querer pegar a bolinha é um impulso inato, e genético. Claro que ele pode ser aumentado ou diminuído de acordo com a criação, repetição e até treinamento. Mas o interesse pela bolinha, a forma de segurá-la e a predisposição para gostar de trazê-la de volta para a pessoa já nascem, ou não, com ele. Já com 49 dias de vida, quando muito criadores testam as aptidões de seus bebês para o trabalho, se vê a diferença, na mesma ninhada, entre os indivíduos. O mesmo acontece com as entidades de cães de assistência, quando selecionam “candidatos” para seus programas de treinamento.

Os testes são muitos, mas entre eles tem um em que se amassa uma bolinha de papel e se joga a mesma a uns 2 metros do filhote. Alguns filhotes olham a bolinha jogada e não fazem nada, outros vão até ela, cheiram e vão embora, outros pegam a bolinha e saem correndo e outros pegam e voltam para o humano que está fazendo o teste. É a coisa mais bonitinha do mundo ver as diferentes atitudes em cada filhote.

Essa ação aparentemente boba nos mostra coisas muito interessantes.  Ir ou não atrás da bolinha nos mostra instinto de caça/presa do filhote, o jeito como ele pega a bolinha nos mostra o tipo de mordida que ele tem, e o que faz depois, seu nível de independência, possessividade e sua vontade de trabalhar em conjunto com o humano.

Não é à toa que se existem alguns padrões e resultados esperados de acordo com as raças, mesmo sabendo-se que haverá diferença entre os indivíduos. O pessoal dos cães de esporte como o IGP vai querer uma caça alta, mordida cheia e forte, e possessividade. O povo do agility quer muita energia, foco e vontade de trabalhar. Já a turma dos cães de terapia vai olhar mais a vontade de cooperar, a energia média/baixa e a baixa reatividade.

Para os cães de companhia, objetivo mais comum nas famílias, queremos tudo no “médio”, o que nos dará um companheiro alegre e seguro, mas “relaxadão” no dia a dia. Poucas pessoas estão preparadas para ter um cão com aptidões altas para trabalho, pode acreditar!

Claro que isso tudo não é visto somente no teste da bolinha! Os testes para filhotes, dos quais o de Volhard e o de Campbell são os mais famosos, têm uma série de etapas e exercícios, além de local, idade e forma certos de serem aplicados. Além disso precisam ser aplicados e interpretados por um profissional experiente. Os resultados são fascinantes.

Mas voltando à nossa bolinha na praia, é por tudo o acima, que alguns cães naturalmente “brincam de bolinha” até o braço do dono cair, enquanto outros olham com aquela cara de “você que jogou … vai buscar ué”, e outros parecem sinceramente nem saber o que é uma bolinha …

Então, se o seu peludo parece gostar da brincadeira, é só brincar com ele e ir “afinando” o comportamento, que rapidamente ele estará craque. Já se ele não tem esse interesse todo, mas você quer ensiná-lo, tem que introduzir a brincadeira de forma positiva, e associá-la ao prazer de brincar e ganhar atenção. Mesmo não sendo um comportamento natural para ele, ele pode aprender que é uma forma prazerosa de interagir, gastar energia e se relacionar, e pode passar a gostar a brincadeira. Ou não … tem cachorro que nunca vai se interessar, e não faz sentido forçar o comportamento, já que é para ser uma brincadeira, e não obrigação.

Minha amiga me olha por um instante e afirma: “Tipo gostar de trilha.” E diante do meu olhar incrédulo ela continua: “Tem os malucos como você que adoram, tem os que vão pela companhia se convencidos, e os que nem eu que não vou nem que me paguem! Você é aquele Labrador alí e eu o Vira-latinha, hahaha!”.


E diante desse brilhante resumo … fui dar um mergulho.



Cachorro no Shopping

Close-up on a beautiful dog shopping at the mall with bags around her – pet friendly concepts

Dia desses no estacionamento do shopping, um casal saía do carro com 2 Spitz na coleira. Quando passei, um latiu para mim, o outro se abanou puxou na minha direção. Perguntei se podia falar com eles, pois sou dessas, acho tremenda grosseria não falar com um cachorro que fale comigo, mas também acho que se deve perguntar. Comecei a fazer carinho num, o outro acabou vindo e ganhou cafuné também.  A moça que segurava a coleira falou: “que bom que você falou com ela, é tímida, late, e as pessoas se afastam, quero socializá-la mas saímos pouco”. Minha alma de treinadora quase soltou um “senta aqui e pega um bloquinho”, mas lembrei que o motivo da minha rara ida ao shopping era achar um presente, que não treino mais, e que não posso me meter na vida dos outros (conceito ainda a ser trabalhado…). Sorri, falei “insiste, leva ela sempre a todos os lugares, vai melhorar com o tempo.” E segui.

 

Mas segui pensando … toda hora vejo na minha telinha pessoas falando horrores de “cachorro passeando no shopping”, que “cachorro tem que estar na natureza, correr no parque, pisar na terra” que é “absurdo e antinatural levarem para lugar de gente”.

 

Não discordo em parte, não sou doida e é claro que o ideal é que todo cachorro passeie na grama, em parque, em sítio, em lago, na praia (que há quem reclame), etc, etc. Mas … e quando não dá? E quando o lugar que a pessoa mora é longe disso tudo, ou a rotina de trabalho é apertada, e no tempo que sobra, ela precisa ir ao shopping achar um presente? Seria melhor ela deixar o cachorro em casa do que levar ao shopping? Seria melhor ele estar sem estímulos, talvez sozinho em casa, do que “num lugar artificial cheio de luzes, chão frio e pessoas falando”? Por quê?

 

Claro que se o cachorro tem medo, late sem parar, ou morde sem motivo, esse passeio tem que virar um treino, ter acompanhamento e trabalho. Mas isso é outra conversa. Não estou advogando obrigar um animal a estar onde não quer, nem a falta de educação de humanos ou caninos, que fique claro. Mas botar uma verdade absoluta na vida, e nos cachorros, dos outros é complicado. Para o cachorro, na grande maioria das vezes, é muito melhor estar onde quer que seja com seus responsáveis, do que em casa. E ele só vai ser educado, se tiver a chance de ser educado.

 

Lá pelas tantas passa uma senhora com um carrinho de bebê, chamou minha atenção, olhei e tcham, uma vira-lata descabelada com cara de velhinha me olhou de volta. “Que linda!” Disse eu. “Linda e sem caráter, não põe a mão que ela pode morder” respondeu a senhora rindo meio sem graça. Eu ri, a cadelinha me olhava com cara de “experimenta!”. Ri mais. “Ela não consegue mais andar muito, então comprei esse carrinho para ela sair comigo e se distrair”. Percebi um desconforto nela, como se antecipasse um julgamento por estar comum cachorro no carrinho de bebê. Meu coração doeu por ela. Falei “está certíssima, ela tem que passear, ver coisas e sentir cheiros, muito melhor do que ficar em casa”. A senhora abriu um sorrisão e disse “ela tem 16 anos, quando era jovem, passeamos muito, agora não dá mais, ela não aguenta nem um quarteirão”. “Que bom que ela tem você para levá-la por aí!” disse eu. Sorrimos e seguimos cada uma seu caminho.

 

Mas aí o assunto ficou na minha cabeça de vez. Lembrei de um biólogo no Instagram, falando horrores de cachorros “humanizados, desvirtuados de sua natureza em shoppings e carrinhos pela cidade”. Será?

 

Será que falar assim não é precipitado e até mesmo preconceituoso? Será que em hora de sol quente, onde a calçada ferve e o ar até 50 cm acima dela também, não é mais responsável colocar um cachorro na mochila ou no carrinho do que submetê-lo ao chão? Será que a gente não precisa abrir um pouco a cabeça para as adaptações necessárias à nossa vida urbana? Não vou repetir que para ele, estar sassaricando na rua é sempre melhor que em casa quieto. Claro que não estou falando dos exageros, e eles existem. Claro que um cachorro todo vestido, com laços e perfumes, que jamais coloca as patas no chão, não interage com outros animais nem nunca viu uma grama na vida, não está vivendo em plenitude sua “cachorrice”, se podemos falar assim, e isso não é “certo” (não vou entrar no debate do que é certo ou não, porque dá outro texto). Sim, existe humanização exagerada, sim, existe um monte de maluquices das pessoas, mas não estamos falando disso.

 

Meu ponto aqui é: se o cachorro está feliz, a pessoa está feliz e não estão incomodando ninguém, não generalizemos o shopping, o carrinho, o sapatinho, o restaurante ou o avião. Nós não sabemos as circunstâncias das pessoas, nem dos cachorros, então … sejamos mais acolhedores da decisão alheia? Do modo de vida do outro, que pode me parecer estranho, mas é dele? Sejamos mais questionadores dos nossos preconceitos,  do que achamos certo ou errado num mundo que muda tão rapidamente e nos obriga, humanos e animais, a nos adaptarmos numa velocidade nada natural. Os cães estão conosco na vida cotidiana há pelo menos 12 mil anos, comprovadamente. Não julguemos tão rapidamente pessoas que tentam mantê-los por perto do seu dia a dia, mesmo que seja no shopping.

 

Achei uma blusinha linda para o presente, resolvido! Comprei. E na saída da loja … uma jovem administrava (tentava…) 2 crianças querendo correr no corredor e um labrador adolescente querendo ir com elas. DESSA eu tive pena! Pensei cá comigo “ela deveria estar num parque … mas … será que ela precisa comprar um presente?”.

Rio de Janeiro, Fevereiro de 2026.







Vou viajar, será que levo meu cachorro?

Essa dúvida tão comum é mais comum ainda nessa época do ano. E a melhor resposta é  … depende. Depende dele, de você e da viagem. Claro que o ideal é que nosso peludo possa ir sempre conosco a todos os lugares. Aproveitar o companheirismo e vê-lo vivendo novas experiências conosco é gostoso demais. Mas na prática, às vezes, pode ser melhor para todos que ele não vá. Como decidir então?

A primeira coisa a ser levada em conta é o temperamento do peludo. Ele gosta de viajar? Curte lugares novos, novas pessoas, animais desconhecidos e novas experiências? Se ele já gosta, ótimo. Se ele for um filhote, essa é a hora de apresentar tudo isso a ele, para que ele goste. Se for um adulto calmo e seguro, mesmo que não tenha tido essa experiência ainda, provavelmente vai gostar.

Mas se ele for do tipo tímido, inseguro ou ansioso, a experiência pode ser bem desagradável para ele … Nesses casos vale pensar se começar a expô-lo a novas situações no dia a dia, perto de casa e aos poucos, não será mais suave para ele. Para esse perfil de cachorro, ficar em casa com alguém, na casa da “avó”, ou num hotelzinho de confiança, pode ser a melhor opção.   

A segunda questão que temos que levar em conta, é qual a estrutura do local para onde você vai, qual será a rotina de atividades e se ele se adapta bem a ela. Ele poderá ficar solto todo o tempo? O lugar é seguro? Murado/cercado? Seu peludo é obediente e fica perto de você? Haverá outros cães? Quais as regras de convivência do local? Se ele não puder estar com você todo o tempo, ele fica bem preso no quarto por algumas horas? Não destrói coisas? Não chora ou late? É importante ter tudo isso em mente, principalmente se for um lugar comercial, como um hotel ou pousada. Por que se o peludo terá que ficar na guia o tempo todo para não fugir, se machucar, brigar ou incomodar os outros, ou se você não poderá fazer passeios ou atividades porque ele não pode ir e não ficará bem sozinho no quarto, também vale pensar se não será melhor para todos ele não ir. A intenção de viajar com nosso cachorro, é a viagem ser legal para todos os envolvidos, e não virar uma frustação para você.

O que nos leva à questão final: você. Você está a fim de lidar com essas questões durante toda a viagem? Nós amamos nossos cães, mas temos que encarar que é diferente viajar com ou sem cachorro. Por mais educado e acostumado que ele seja, ele precisará de supervisão constante, é a mesma coisa que viajar com criança pequena, parte da brincadeira é não tirar o olho dele. Às vezes a pessoa não está com essa disposição, ela quer relaxar totalmente, sem ter que cuidar de nada nem de ninguém … isso deve ser considerado!

Tudo isso dito, podemos fazer um check list básico para ajudar na tomada de decisão:

  • O peludo gosta de novos lugares e experiências.
  • O peludo é sociável, aceita outros cães e não estranha pessoas.
  • Ele te obedece, vem quando chamado, fica por perto, não foge.
  • O lugar para onde irão é seguro para ele.
  • Ele fica numa boa sozinho no quarto ou em outro lugar se for preciso.
  • Você está a fim de ficar de olho nele, e lidar com eventuais questões ligadas a ele sem se estressar.

Se você marcou todas as opções acima … é hora de fazer as malas, e a mochilinha do peludo, e partir para as férias! Lembre-se de checar a parte formal, como exigências de vacinas e atestados para a viagem, e nunca esqueça de botar uma boa coleira com plaquinha de identificação para maior tranquilidade. Boa viagem! Aproveitar momentos especiais com nossos cães e tudo de bom!

 

Rio, janeiro de 2026
Daniela Prado
Sócia Fundadora Okena PetChef
Especialista em Comportantento LordCão Treinamento de Cães

Gostou desse texto? Quer saber mais sobre treinamento ou longevidade para seu pet? Ou sobre superalimentos fáceis de oferecer para seu pet? Ou aprender a manejar um peludo “ruim de boca”? Temos tudo isso aqui no Blog, divirta-se!

 

Treinar para quê? Precisa mesmo?

Dog gazing at a stunning sunset from a hilltop serene and picturesquebackground

 

Essa é uma pergunta que a gente escuta muito.

Todo mundo sonha com aquele cachorro de filme. Companheiro, que entende você, que caminha ao seu lado e com quem é possível relaxar e curtir a vida juntos.

O que às vezes fica esquecido, é que aquele cachorro não nasceu sabendo aquilo tudo …  

Infelizmente, muita gente ainda associa treinar o cachorro a ensinar truques e outras bobagens, a torná-lo agressivo para “fazer guarda”, ou a obriga-lo a obedecer a gritos e comandos militarizados que não servem para nada.  
Nada poderia estar mais longe da realidade …

O treinamento moderno é muito mais sobre ensinar uma linguagem, estabelecer uma boa comunicação e com isso construir uma relação harmoniosa e feliz, do que sobre rolar ou dar a patinha. Ele é construído sobre a confiança, o respeito mútuo e a comunicação clara. Um cão bem treinado não é um cão “submetido” ou “quebrado”, ao contrário, é um cão seguro, feliz e equilibrado, capaz de navegar no mundo humano com confiança ao lado de sua família. Ou seja, é aquele cachorro de filme que todo mundo quer!

A base do treinamento moderno é o reforço positivo. Isso significa que, em vez de punir o que o cão faz de ‘errado’, nós induzimos, recompensamos e celebramos os comportamentos que queremos que ele repita. Essa abordagem não apenas acelera o aprendizado, mas também fortalece o vínculo entre você e seu pet, pois ele passa a ver você como a fonte de todas as coisas boas, um líder em quem confiar, e não uma figura a quem temer.

É lindo ver cães felizes, andando bonitinhos com criancinhas, nadando na praia, pegando bolinha, correndo ao lado dos seus humanos, ou deitadinhos calmamente num restaurante numa tarde fresca. Mas a maioria das pessoas não se dá conta que esses cães foram treinados para isso. Às vezes formalmente, com a ajuda de um bom profissional, às vezes informalmente, por seus responsáveis, que já tinham experiência no processo ou apenas talento e paciência. Se pensarmos que a base do treinamento é mostrar o que se espera do cachorro, associar uma palavra à ação, e repetir até que a ação seja internalizada pelo cão, nem sempre é preciso um profissional. Mas mesmo assim, esse “ensinar” é “treinar”.

E é exatamente essa base que abre portas para uma vida de liberdade e cumplicidade.

Então, se o treinamento é sobre construir essa relação, para que treinar seu cachorro?   

* Para ele andar com você tranquilamente na rua.

* Para vocês irem na casa de seus amigos e ele se comportar tão bem que você nunca mais será convidado sem ele! (aconteceu comigo)

* Para vocês curtirem aquele dia lindo (de inverno, outono ou primavera!) na praia, nadando no mar, jogando bolinha e caminhando em paz.

* Para fazerem aquela trilha bacana com banho de cachoeira no final.

* Para irem ao restaurante, ao barzinho e quem sabe até no escritório…

Mas para que todos esses momentos sejam de relaxamento e prazer, é preciso que o peludo saiba:

* Andar bem na coleira;

* Andar solto sem sair de perto de você;

* Vir até você imediatamente quando chamado;

* Ficar sentado ou deitado quietinho ao seu lado;

* Ficar parado em um lugar determinado até que você o chame;

* Se manter calmo e sob controle mesmo em meio a alguma confusão;

* Não latir à toa, e jamais ser agressivo com pessoas ou outros animais.

Todos esses comportamentos, apesar de parecerem muito naturais quando os vemos, não são inatos para a maioria dos cães. Eles foram ensinados, premiados e reforçados, até se tornarem um modo de vida para o pet. É importante entender que o treinamento não é uma ‘fórmula mágica’ ou um evento único. É uma ação contínua que exige paciência, consistência e, acima de tudo, carinho. Cada interação é uma oportunidade de ensinar ou reforçar, e quanto mais tempo passar, melhor e mais natural o comportamento ficará, já que o cachorro vai ficando mais experiente e mais confortável com uma forma de agir que traz prazer e segurança. Por isso cães mais velhos geralmente demonstram melhor esse aprendizado, que fica parecendo totalmente natural, mas não era, o que vemos é o resultado de anos de prática.   

Além de garantir momentos prazerosos em conjunto, o treinamento é um pilar fundamental para a saúde mental e a segurança do seu peludo. Um cão com limites claros e uma comunicação eficaz com seu humano tende a ser menos ansioso, menos estressado e mais confiante. Ele tem um vínculo forte de confiança com seu humano e se sente parte de uma família, o que é fundamental para animais de matilha como os cães. Fora a questão da segurança, onde obedecer prontamente a um comando ou chamado, pode literalmente salvar a vida dele.   

Investir no treinamento é investir em uma vida mais plena, feliz e conectada para você e seu companheiro de quatro patas.  

E se você não se sente pronto para essa tarefa sozinho, ou se seu peludo tem questões específicas que se tornam um desafio maior, procure a ajuda de um bom profissional. Um bom adestrador pode oferecer ferramentas e soluções personalizadas, identificar a raiz de um problema de comportamento e guiar você e seu cão na direção certa para resolvê-lo. Bora treinar?  

Rio, novembro de 2025
Daniela Prado
Sócia Fundadora Okena PetChef
Especialista em Comportantento LordCão Treinamento de Cães

Gostou desse texto? Quer saber mais sobre treinamento ou longevidade para seu pet? Ou sobre superalimentos fáceis de oferecer para seu pet? Ou aprender a manejar um peludo “ruim de boca”? Temos tudo isso aqui no Blog, divirta-se!

Nossos cães andam tão doidos quanto nós?

Não é de hoje que ouvimos, e dizemos, a frase: “gente … tá todo mundo doido, né?”

Depois da pandemia então … isso virou uma certeza! Ficamos todos doidos mesmo.

Mas o que isso tem a ver com nossos cães?
Olhando as redes sociais, onde chovem na nossa telinha vídeos fofos e divertidos de animais, a máxima – cara de um, focinho do outro – nunca soou tão verdadeira. Os pets parecem estar cada vez mais doidos, juntinho com a gente.

Será que isso tem fundamento? Brincadeiras à parte, porque o assunto é sério, será que os pets, principalmente nossos cães, estão realmente desenvolvendo os mesmos transtornos mais comuns nos humanos?

É preocupante quando questionamos sobre algum comportamento do cão, e ouvimos: “ele não aprende nada na aulinha, fica olhando em volta, se agita … ele tem TDAH”, ou, “ele é muito sistemático, cheio de manias, ele tem TOC” ou “ele tem fobia social, não gosta de sair de casa nem de estranhos”. Isso pode soar engraçado num primeiro momento, mas é muito perigoso, se incorporado à forma como lidamos com o peludo no dia a dia.

Muitas das manias e fobias dos cães são respostas a estímulos nossos, tentativas de controlar o meio ambiente para se sentirem mais seguros, ou tentativas de evitar desconfortos ou desafios. Mais do que achar engraçado, temos que observar com atenção esses comportamentos, e trabalhar para minimizá-los, para ajudar nosso cachorro e ser mais feliz, mais atento, mais relaxado e mais seguro de si.

Vamos a alguns exemplos:

 * “Ele tem TDAH, não consegue prestar atenção no treino e não me obedece”:
Algumas perguntas que podemos fazer:
– Ele está exercitado o suficiente? Ou cheio de energia a ponto de só pensar em correr, correr, correr?
– O treino está sendo interessante e divertido? A interação humano-cão está positiva? Ele é elogiado e premiado? O tempo de treino é compatível com a capacidade de atenção dele?
– Você se comunica com ele de forma clara? Ele sabe o que você quer dele quando usa a palavra X ou Y?

Assim como existem metodologias para ensinar crianças a ler e escrever, existem métodos para se treinar e se comunicar com nossos cães. A romantização do “ele sabe o que eu quero”, ou “ele capta os meus pensamentos” é responsável por muita frustração para o humano, e confusão para o peludo. Principalmente no caso de filhotes, eles precisam ser ensinados a prestar atenção, ensinados a nos ouvir e a obedecer. Não é TDAH, é falta de conexão com o dono e falta de uma comunicação clara.

* “Ele tem TOC, não posso mudar a cama 1 palmo de lugar que ele surta” ou “ele não gosta que ninguém sente na poltrona da sala, reclama até a pessoa sair” ou “temos que sair para passear assim que ele acaba de comer, ou ele surta”.

Esses comportamentos têm em comum a necessidade dele de controlar o ambiente e/ou a rotina. Se confundem muito com uma simples dominância, e de fato muitas vezes estão associados. Não querer que “suas” coisas sejam mexidas, ou querer controlar as pessoas e seus movimentos, é bem típico do peludo que se acha responsável por determinar as regras da casa. E isso só acontece quando ele acha que mais ninguém da casa está no posto de controle, e a função “sobrou” para ele, mesmo que ele não se sinta preparado para ela (isso é genético).  A forma como um cão com temperamento forte e realmente dominante (uma minoria), e a forma como um cão instável e inseguro (a grande maioria), fazem isso é muito diferente. O dominante se sente bem “mandando”, o outro não … ele faz porque as rotinas e pequenos controles o fazem se sentir melhor do sem elas, mas ele adoraria que alguém outro ocupasse esse posto.

O importante aqui é entender que ele faz isso para se sentir melhor, ou seja, ele não está se sentindo bem, ele não se sente relaxado e seguro, como todo cão deveria se sentir.

Algumas das perguntas aqui são:
– Temos regras claras na casa, que mostrem para ele que “tudo está sob controle”, e ele pode relaxar e se sentir seguro? Qual rotina pode ser instalada, que traga a tranquilidade que ele precisa?
– Ele passeia, gasta energia e vê novidades, sente cheiros diferentes e ouve sons estranhos, para que entenda que o mundo é muito mais do que a “toca” dele?

Mesmo que você seja um humano relax e avesso a regras rígidas e rotinas, se o universo te deu um peludo desses … você terá que assumir a liderança, exercer uma certa disciplina na casa e determinar as regras, por ele, e para ele. A base desse comportamento é genética, seu cão não tem culpa, mas o ambiente e manejo podem ajuda-lo muito a ser mais feliz. Ele pode aprender a não precisar mais das “neuroses” para aliviar a ansiedade e medo, e a confiar na estabilidade e nas rotinas apresentadas a ele.

É importante dizer que em casos mais graves, medicações podem ser usadas junto com a mudança de rotina, e ajudam muito. Assim como para humanos, muitas vezes a indução química vai ajudá-lo a “sentir” diferente, a vivenciar suas emoções de forma diferentes, e a reagir de forma diferente frente aos estímulos. Depois que o novo comportamento for internalizado, vai-se “desmamando’’ a medicação aos poucos. Claro que isso só pode ser feito sob a supervisão de um veterinário especialista em comportamento, e com a ajuda de um bom treinador em casa.

Para finalizar, vale sempre lembrar que muitos problemas são evitados ou minimizados se tivermos um bom manejo de nossos cães desde cedo. Esse cedo não é só filhote, pode ser desde a chegada de um cão adulto na sua casa. Existe muita informação disponível, e muitos bons profissionais a disposição, para te ajudarem a montar, desde o dia 1 do peludo na sua casa uma rotina saudável e produtiva para um desenvolvimento saudável e feliz dele. Invista nesse início, e se o início já passou, invista na mudança, os resultados são surpreendentes, pode acreditar.

 

Meu cachorro não gosta de visitas, e agora?

 – Menina, o Fido não deixa mais ninguém entrar lá em casa, não sei o que fazer!”

Essa era uma frase comum de ouvir na minha época de consultora comportamental.

Mas por que um cachorro “resolve” não querer mais visitas em casa, e o que fazer para que o pequeno delinquente aceite receber seus amigos e funcionários de forma pacífica?

É importante entender que esse comportamento, como todos que envolvem agressão, pode vir de 2 lugares: dominância ou medo.

Se no geral o seu peludo é do tipo seguro de si, que marca muito território nos passeios, gosta de arrumar confusão com outros cães e até já tentou “botar limites” em você ou em mais alguém da casa, essa agressividade em relação às visitas deve ser por questão de dominância territorial. Ele simplesmente não gosta de estranhos em seu território e não confia no teu julgamento em relação a quem deveria ou não entrar em casa. Ele acha que tem o dever de proteger esse território e seus ocupantes.

Já se seu cachorro é normalmente mais inseguro, tem alguns medos e manias, e late muito e para qualquer coisa, essa agressão é basicamente por insegurança. Eu digo basicamente porque não é só isso … tem também a questão territorial, mas ela é subordinada ao medo.

Alguns sinais podem mostrar essa diferença

O cão dominante normalmente encarará a visita de frente, olhará fixo, sem latir, terá o rabo alto e normalmente deixará sua intenção muito clara. Ele poderá vir “ver qual é”, cheirar, rodear e só depois resolver morder. Muitas vezes buscará contato visual com a visita. Eu tive um encontro desse com um São Bernardo uma vez … Cheguei na casa, a dona abriu a porta e quando estávamos no meio do jardim ele veio. Andando devagar, mas decidido, de rabo alto, me rodeou, tentou contato visual (que eu evitei me virando de lado) e foi ficou me cercando. Perguntei se ele sempre fazia isso e a resposta foi: “sim, e aí, de repente, do nada, ele avança e morde! “ . Foi o tempo de eu disfarçadamente subir na mesa do jardim e dizer para ela segurá-lo e botar uma guia. Era um cão jovem (graças a Deus), começando a testar seu poder e sendo mal direcionado. Vivia no jardim, não tinha treinamento nenhum, nem nenhuma função construtiva, os responsáveis achavam que a raça era “grande e boba” e estavam pasmos com os “acidentes”. Treinamento, exercícios e muita disciplina colocaram o grandão no rumo certo.

Cães assim existem em todas as raças, tamanhos e cores, não é uma característica exclusiva dos cães grandes, ou de trabalho, apesar de ser mais comum neles. Mas já conheci Cockers, Lhasas, Sharpeis e até um Shih-tzu extremamente dominantes e agressivos.

Mas o mais comum na vida urbana das grandes cidades e pequenos espaços, são os inseguros. Cães com genética não selecionada, que moram em apartamento, têm uma rotina previsível, são expostos a poucos estímulos quando filhotes e mesmo depois, e com isso têm sua insegurança exacerbada. Sim, a insegurança não é criada, eles não “se tornam” inseguros. Eles já tinham a característica geneticamente, e ela floresceu pela criação. Nesses casos, geralmente a recepção dos intrusos, ops, visitas, é acompanhada por latidos mis, muita agitação física, um vai e vem danado e nos casos mais graves com bater de patas no chão e aquele latido rápido auauauauauaua num fôlego só. Quando chegam a morder, é geralmente no pé/canela quando a pessoa vai andar, e/ou na coxa ou bunda se o incauto virar de costas (e se ele alcançar, rsssss).

Quando o cão é pequeno, a coisa é mais manejável, mas quando o inseguro é grande … pode ser extremamente perigoso, mais até do que o dominante, pois ele não tem equilíbrio emocional, e não sabe medir a agressão para o fim que deseja.

Dito tudo isso, o que fazer?

A primeira coisa é ter em mente que isso tem solução, dá um trabalhinho, mas tem. Se você puder contar com a ajuda de um bom treinador, que avalie o cão a adapte uma rotina para ele, é o ideal. Mas no geral, as ações abaixo podem pelo menos ajudar.

Dois conceitos são muito importantes de serem entendidos:

1. Ele vai ter que aprender que quem manda na casa é você e não ele. Sinto muito, é preciso, por mais preguiça que te dê.

2. Se ele aprender a naturalmente gostar de visitas, tudo fica muito mais fácil.

Então mãos à obra – aqui vão os passos:

* comece o treino com uma visita convidada para isso, que goste de cachorro e esteja disposta a ajudar. Oferecer jantar e um bom vinho costuma ajudar a conseguir adesões 😉.

* coloque o meliante numa guia longa ANTES da visita chegar. Quando ela chegar, receba-a com ele na guia mais para trás de você.

* se começar o escândalo, corrija. Mesmo que seja antes da visita entrar, o que muitas vezes acontece. Não é para ser forte, nem machucar, claro. Mas tem que ser efetivo, com determinação suficiente para que ele saiba que você não aprova essa atitude. Mesmo que você não consiga que ele pare, persista. Não o deixe ficar rolando, indo e vindo, nada disso, ele tem que ficar do seu lado.

* ao mesmo tempo, a visita será munida com o petisco mais amado do mundo pelo cachorro. Nessa hora vale pedaço de queijo, rodelinha de salsicha, pedacinho de fígado. Tem que ser algo que ele nunca ganhe fora dessa situação e ame.

* estará previamente combinado com a visita que ela, sem falar com o cão, jogará um pedacinho do petisco para ele ao menor sinal de silêncio, 1 segundo que seja. Por isso o petisco tem que ser muito especial, porque se for o de sempre, ele não vai querer, e ele tem que querer! Quando ele pegar, você, ou quem estiver com a guia, vai elogiar. Se ele comer, mas voltar a latir em seguida, tem que corrigir de novo, e de novo, e de novo. * e assim vamos. A visita senta na mesa, ou no sofá, vcs conversam, e ela de vez em quando joga um pedacinho do petisco para ele. Geralmente depois so segundo pedaço ele começa a prestar uma certa atenção na visita e volta a latir só quando ela se mexe, rssss. Será corrigido, quando ficar quieto de novo, ganhará outro pedacinho. Ele ficará na guia o tempo todo, para poder ser corrigido quando necessário.

* o que é muito importante aqui é o timming. Isso é muito, MUITO importante. Você tem que ficar muito atento para não dar o petisco quando ele latir ou rosnar, ou estiver com atitude agressiva, tem que ser quando ele relaxar ou mostrar curiosidade quanto à visita, nem que por meio segundo. Porque se você premiar errado … estará premiando a agressão e aí vai ser um desastre.

* mesmo que ele pareça relaxar, mantenha a guia, e mantenha-o perto de você, nada de confiar rápido demais e ele, uma vez solto, se aproveitar e grampear o tornozelo da sua amiga logo quando ela já estava saindo da sua casa (experiência própria, mais uma vez …). Isso estragará todo o trabalho anterior.

* faça a mesma rotina para todas as situações com visitas, entregadores e até funcionários, se ele for do tipo que nem a eles aceita. Claro que nem sempre você poderá ficar treinando, mas nesses casos, mantenha-o na guia perto de você e não solto na casa latindo atrás da pessoa sem consequências.

* você vai perceber quando ele começar a não querer latir tanto, mas sim ficar feliz com a chegada da visita, curioso e interessado no petisco. Não tem problema essa amizade interesseira, ele precisa de 3 a 4 meses para internalizar e solidificar o novo aprendizado e as novas emoções. Então, mantenha a rotina, mesmo que ele já esteja confiável o suficiente para ficar solto. Se ele no meio do caminho passar a gostar de carinho dos estranhos, ótimo, pode ir substituindo os petiscos por carinhos, é o cenário perfeito.

* ao mesmo tempo, é interessante manter uma boa rotina de passeios, para ele exercitar o físico e o mental. Se puder leva-lo a novos lugares, a lugares movimentados, lugares onde ele sinta novos cheiros, veja novos movimentos, se distraia e se canse, será muito bom.

Não tem como eu dar uma ideia de quanto tempo aplicando essa rotina será preciso, pois isso depende de muitos fatores. Temperamento do cão, rotina de treinamos, paciência, não fazer exceções, tudo isso influencia.

Pense que é um processo, que levará seu cachorro a ser mais feliz e mais relaxado. Ele também é uma forma de fortalecer os laços entre você e seu cão, já que ele passará a confiar mais na sua liderança. Não precisa ser difícil, basta ter paciência e treinar, sem pressa, mas sem pausa!


Rio, setembro de 2025
Daniela Prado
Sócia Fundadora Okena PetChef
Especialista em Comportantento LordCão Treinamento de Cães

Gostou desse texto? Quer saber mais sobre longevidade para seu pet? Ou sobre superalimentos fáceis de oferecer para seu pet? Ou aprender a manejar um peludo “ruim de boca”? Temos tudo isso aqui no Blog, divirta-se!

Criar um pet: do mito à prática com tranquilidade.

Image of confused man in glasses raising hands and shrugging complicated, standing near black pug dog over white background.

Adotar um novo pet é sempre uma excitação. Empolgação, preocupação, alegria, medo … vem tudo junto. Será que vou dar conta? Ele vai ser feliz? Vai ficar saudável? Algumas dúvidas, transformadas em verdadeiras polêmicas na era das mídias sociais, acabam atormentando as pessoas nessa hora tão delicada.

Onde o peludo deve dormir? O que ele deve comer? Devo levar no Parcão? Treinar? Castrar? São muitas as perguntas, e muitas respostas que às vezes só confundem mais ainda.

Depois de 25 anos de consultas e acompanhamentos comportamentais, treinamentos e hospedagens, ouso dizer que as respostas não são tão complicadas assim … tem é muita gente que gosta de complicar o simples e natural.

Começando pela chegada em casa e a frase feita: “se ele não dormir sozinho desde o primeiro dia, nunca vai acostumar”. E aí temos 2 semanas de gritos e uivos a noite inteira … um stress para o filhote, a família e a vizinhança. Isso parece natural? O bichinho (filhote ou adulto) acabou de chegar num lugar novo, não conhece ninguém e é deixado sozinho a hora mais vulnerável do dia … ele está errado em pedir socorro com todas as suas forças?! Por instinto ele sabe que sozinho ele pode morrer …

Não parece mais natural que ele durma inicialmente junto das pessoas, se sentindo protegido e acolhido nessa nova matilha e depois, conforme vai amadurecendo e acostumando com a casa, os barulhos, etc, vá sendo apresentado e habituado ao novo lugar de dormir? Durante o dia, com calma, sem pressa, mas com disciplina e paciência.
 – Ah, mas ele vai chorar quando mudar! Talvez, mas sem desespero e por menos tempo do que choraria lá naquele primeiro dia! Isso eu garanto.

Uma vez resolvida a dormida, temos a comida. Parece estranho ter que advogar que alimentação natural, balanceada e suplementada para as necessidades dele é melhor do que ração ultraprocessada. Mas isso são as loucuras da vida moderna. Você acha que se fosse possível ter bolinhas desidratadas realmente saudáveis, já não teríamos para nós? Já não estaríamos almoçando “refeição completa sucrilhos sabor lasanha”, ou mousse de chocolate … seria bem bom! Antigamente existia a questão da praticidade, mas hoje, com as empresas de alimentação natural que entregam a comida em saquinhos com a quantidade do dia, congelada a vácuo e em casa? Não há comparação. O tempo em que dizer “meu cachorro só come ração” era motivo de orgulho passou, e não voltará mais! Claro que vou deixar aqui no link da Okena PetChef para quem duvidar: www.okena.pet .

Em seguida vem a questão da “pracinha”, o famoso “Parcão”. Ir ou não ir? Essa é uma briga que tem defensores e detratores apaixonados! Mas de novo, vamos com calma. Inicialmente, a regra é ir, pois a maioria dos cães gosta e precisa de socialização e exercícios. MAS … e esse “mas” é em maiúsculas mesmo, observe os frequentadores habituais do local (cães e humanos) e o seu cão. Ele está gostando? Os outros cães e seus humanos são “sensatos” e seguros para ele? O ambiente é positivo e as interações também? Ou ele é pequeno, ou tímido, está com medo e os outros achando normal “juntarem” nele? Uma coisa é brincadeira que às vezes passa um pouco do ponto, acontece e é saudável, outra é bullying autorizado. Lembre-se, é para ser um momento positivo para ele, se não for, é melhor socializar em outro lugar, com cães e pessoas sob controle. Isso também vale se você descobrir que o delinquente em questão é o seu cachorro … seja sensato e não coloque o bem estar dele e dos outros em risco.

O que nos leva a … devo treinar? SIM! Aqui não há dúvidas. Lembrando que “treinar” significa você ir com ele em uma aula, seja em grupo ou individual. Ele aprenderá o significado das palavras, e o que os humanos esperam dele numa vida em sociedade. Você aprenderá a se comunicar com ele de forma clara, justa e objetiva. Ele aprenderá que é você quem toma as decisões pela dupla, e você aprenderá que não é para ter culpa ao dar comandos, pois ele é muito mais feliz obedecendo do que decidindo, acredite. Treinar dará a você a segurança necessária para viver tudo o que quiser com seu cão ao seu lado.

E aí chegamos no assunto mais polêmico … castração. É importante ouvir o seu médico veterinário sobre esse assunto, pois existem sempre novos dados, apontando prós e contras em relação à parte médica. Quanto à parte comportamental, é importante saber que ela tem mais impacto no comportamento de machos do que de fêmeas. Nos machos diminui a dominância, e com isso os comportamentos a ela associados, como marcação de território e agressividade (por dominância). Mas isso não quer dizer que ele vá “do nada” parar com esses comportamentos. Se castrado, ele ficará mais colaborativo e mais propenso a acatar regras e limites (como não fazer xixi na casa toda, não morder conhecidos e não brigar). Mas tudo isso terá que ser ensinado, e os comportamentos errados corrigidos, não é milagre. Já nas fêmeas, ela evita o cio, que pode ser um problema na vida urbana, e que é muitas vezes um gatilho para brigas entre fêmeas da mesma casa. Resolve também a “gravidez psicológica”, que não é nada psicológica, mas sim hormonal, e atormenta muitas fêmeas. Por conta disso tudo, mais uma vez você tem que avaliar a condição particular do seu cachorro ou cadela, e decidir o que será melhor para a vida dele como um todo, e para a rotina de bem estar de vocês.

Ter cachorro é uma experiência única e transformadora, que deve ser vivida com responsabilidade, mas também com tranquilidade. Espero que as dicas acima te ajudem a aliviar algumas das dúvidas mais comuns. Tem outras? Escreve para a gente! Quem sabe viram outro texto?

Rio, agosto de 2025
Daniela Prado
Sócia Fundadora Okena PetChef
Especialista em Comportantento LordCão Treinamento de Cães

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Crescendo a família, a chegada do segundo pet!

Para muita gente, ter o primeiro pet é transpor um muro de dúvidas e inseguranças.  Medo de não dar conta, das mudanças na vida, de um monte de coisas. Às vezes ele vem no susto, às vezes depois de muito pensar. Mas o fato é que, depois que ele chega, a vida nunca mais será a mesma! A gente vê que dá conta sim, que é bom demais e que, quem sabe, ele poderia gostar de um irmãozinho …

Passada a empolgação, é importante levar em conta que não é um processo tão óbvio quanto pode parecer. Existem muitas variáveis na hora de escolher o novo peludo, mas algumas diretrizes podem funcionar na maioria dos casos.

A primeira coisa a pensar é: o seu pet gosta de outros? No caso dos gatos, se você nunca teve outro, é mais difícil de saber, já que dificilmente eles passeiam ou encontram outros, então vamos começar pelos cães, onde é bem fácil. Usarei o masculino para facilitar, mas tudo o que eu disser aqui cabe para cães e cadelas.

Se seu doguinho é sociável, cheira, brinca e convive bem na rua com outros cães, temos um bom começo.

O passo seguinte é pensar no nível de energia dele, e seu!

Se ele é jovem e cheio de energia, trazer um filhote pode ser ótimo. Vão se bagunçar o dia todo e um vai gastar a energia do outro. Mas você deve pensar se está preparado para o furacão que se instalará na sua casa pelos próximos meses. Vai ser divertido, mas é bom estar muito preparado.

Já se seu cachorro não gosta muito de outros cães, é tímido, inseguro ou agressivo, a escolha e adaptação do novo peludo terão que ser mais cuidadosas. É importante começar bem, porque consertar a encrenca depois pode ser complicado. Um erro muito comum é se achar que o novo cão deverá ser filhote para que o outro aceite melhor, isso não é verdade.

Para cães mais tímidos ou inseguros, os filhotes podem ser “demais”, e gerar um enorme estresse com sua necessidade de contato e interação constantes. A adoção de outro adulto, de baixa energia e temperamento compatível será uma escolha melhor. Nesses casos vale muito a pena levar o seu cachorro para ajudar a “escolher” o novo irmão. Testar como ele reage com diferentes “candidatos”, de tamanhos e sexo diferentes, e ver com quem se sente mais confortável. Não tenha pressa, controle a ansiedade e espere o “perfect mach” para ele.

Já se ele for meio agressivo, possesivo ou ciumento, tem-se que pensar se um adulto do sexo oposto pode ser a melhor opção, provavelmente será. Não só adaptação será mais rápida, como haverá menos chance de confusão no futuro.

Dependendo do indivíduo, será mais fácil ele aceitar um filhote (sempre do sexo oposto). Mas nesse caso vale pensar em chamar ajuda profissional para uma melhor avaliação e escolha ANTES de decidir pela nova adoção. Assim você terá mais chances de tudo correr bem, e ajuda durante o processo.

Bom, dito isso, vamos para o pós adoção, no caso dos cães. O que é bom ter em casa:

1. Espaços individuais: a não ser que você tenha um daqueles casos de amor à primeira vista e adaptação imediata, vale a pena programar de ter um cantinho separado para o novato descansar e dar descanso para o pet mais antigo. O ideal é que os espaços sejam próximos, e eles possam se ver. Um cercadinho de armar dividindo a sala, por exemplo, pode funcionar bem em apartamentos. Também vale usar esse espaço na hora da alimentação, para que cada um coma com tranquilidade. Conforme você perceba que eles estão mais confortáveis e procurando a companhia um do outro, o espaço pode ser unificado.

2. Atenção exclusiva: é muito importante que cada um tenha alguns momentos de atenção exclusiva, sem competição, sem confusão. Pode-se usar uma separação física nessa hora (um no quarto e o outro na sala, ou alguém sai para passear com um e outra pessoa fica com o outro), ou, se forem calminhos, aproveitar momento como escovação para uma “conversa” a dois, sem irmãozinho no meio. Outro momento bom para isso é o do treinamento, onde a atenção exclusiva é fundamental. Isso dá tranquilidade e fortalece o vínculo entre os humanos e cada cão separadamente. 3. Tudo o que é legal, deve ser feito junto: para reforçar o prazer da convivência, passeios, petiscos e brincadeiras devem ser feitos em conjunto. Isso associa a presença do outro à sensação de prazer que essas atividades geram em cada cão.

Agora passemos aos gatos. Com eles a coisa é diferente, pois não são animais de matilha, apesar de manterem relações sociais e muitas vezes muito próximas em si, principalmente se forem irmãos ou mãe e filho.

Geralmente com eles a introdução de um filhote é mais fácil, já que ele naturalmente procurará se chegar ao adulto. Mas se forem gatos vindos de colônias, ou abrigos, muitas vezes já são acostumados com outros, e tudo corre facilmente. Se não forem, e forem 2 mau humorados … vai dar um trabalhinho. Mas … cada caso é um caso. Para um gato já mais velho, ou tímido, outro adulto sociável mais “na dele” pode ser menos estressante do que uma bolinha de pelos elétrica e interativa.

De qualquer forma o ideal é que você prepare um cômodo para o novato, com comida, água, banheiro … tudo para ele ficar por lá uns tempos. Assim o gato da casa sentirá o cheiro dele, saberá que ele está lá e poderá se acostumar aos poucos. Para mim sempre funcionou bem fazer assim e ir abrindo a porta e deixando se verem aos poucos. Primeiro de longe, depois deixar trocarem de cômodo, até irem se aproximando, ficando um de cada lado da sala, sempre sob supervisão, e depois separando de novo. Aqui o segredo é paciência, levando em conta que é normal demorar até 3 meses para uma adaptação completa. Usar feromônios comerciais pode ajudar também, e a regra de fazer as coisas agradáveis juntos (brincar, dar petiscos, etc) também  vale para os felinos.

O importante é lembrar que o objetivo da empreitada é ficarem todos mais felizes, humanos e pets, então, pode dar um trabalhinho no início, mas depois, serão anos de felicidade, afinal, não tem nada melhor que um sofá cheio num domingo à tarde, não é?

Aqui na Okena, a gente acredita que a alimentação é só uma parte — uma parte enorme — do que faz pets e humanos mais felizes.
Pra todo o cuidado que vai além da “tijela”, tem nosso blog, nossas redes e nossos conteúdos, sempre com carinho e informação de verdade.
Conte com a gente.
Afinal, #SomosOkena

Rio, julho de 2025
Daniela Prado
Sócia Fundadora Okena PetChef
Especialista em Comportantento LordCão Treinamento de Cães

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Mudança sem traumas

Como fazer a mudança sem traumas para o pet

Dia desses eu estava andando na rua e vi uma mudança chegando. Parei para que um sofá passasse e vi entrando no prédio uma moça que gritava para outra: “Sobe logo com ele, ele está histérico”. Na guia aos seus pés, um cachorrinho latia, rodava e avançava em tudo. Ela viu que eu prestava atenção, olhando com simpatia, então deu um sorriso amarelo e disse: “Ele ficou estressado demais com a mudança, até me mordeu e não come há 2 dias”. Morri de pena de todos os envolvidos. Lembrei de quantas vezes, na minha rotina de atendimentos da LordCão, fui chamada para ajudar cães que estavam “esquisitos” depois de uma mudança de endereço. Insegurança, falta de apetite e até agressividade às vezes apareciam no novo endereço, aparentemente sem motivo.  Mas como sabemos que nada com cachorro é sem motivo, depois de alguma conversa e observação, ficava claro que o peludo estava na realidade confuso, ansioso e sem entender o que tinha acontecido.

Então, qual seria a forma ideal de lidar com nossos pets quando vamos nos mudar, para que tudo corra da forma mais tranquila possível?

Antes de mais nada, vale lembrar, que o ideal na vida de um pet, sobretudo um cachorro, é ter experiências variadas. Passear por lugares diferentes, conhecer novos lugares e eventualmente dormir fora de casa (viagem, hospedagem, fim de semana na casa da avó …) são experiências que todo peludo deveria ter. Elas enriquecem a sua existência, ensinam auto confiança e tranquilidade diante de novas situações e novas pessoas. E num momento de mudança, esse histórico pode ajudar muito.

Voltando para a mudança em si:

Começando pelos dias de preparo: para muitos cães, e alguns gatos, a presença de estranhos em casa, e mexendo em tudo, pode ser muito estressante. Fora a agitação da família e da equipe da mudança em si, eles não entendem o que aquelas pessoas estão fazendo, sumindo com tudo em sacos e caixas. Muitos cães ficam até protetores, e a maioria fica bastante ansioso. Gatos costumas se enfiar num canto e só sair quando tudo sossegar.

Por isso vale pensar em levar o peludo, sobretudo os cães, para uma hospedagem nessa hora. Geralmente o processo de embalagem demora um dia, depois tem o dia da mudança em si, e o dia seguinte (na casa nova) ainda de muita bagunça. Ou seja, 3 a 4 dias de caos, que ele não precisa presenciar.

Na hospedagem ele terá uma rotina diferente, num lugar diferente, sem ver nada de bagunça nas “suas” coisas, nem estranhos na “sua” casa. Estará de férias, enquanto os humanos enlouquecem.

Para que ele aproveite melhor, o ideal é que não seja a primeira vez que ele sai de casa, então, se ele nunca saiu e você vai se mudar, programe uma primeira hospedagem de fim de semana para ele acostumar e você já saber se ele fica bem.

Já no caso dos gatos, muitas vezes sair de casa é mais estressante do que ver a bagunça. Poucos gatos gostam de passear ou viajar, então a solução para esses é reservar um quarto para eles, onde não se mexa em nada, ou o menos possivel, até o último momento. Isso pode funcionar também para cães muito medrosos, ou muito idosos, que se estressariam muito ao sair de casa.

Temos então 2 possibilidades de manejo:

1. Se o pet estiver hospedado, ele sairá antes do encaixotamento das coisas e voltará diretamente para a casa nova, quando as coisas mais significativas já estiverem no lugar (camas, sofá, poltronas, mesas e cadeiras, etc).

Ele vai estranhar, claro, mas o cheiro familiar passará conforto para ele (leve tudo velho dele! Nada de aproveitar a mudança para refazer o enxoval do peludo, deixe isso para depois). Mantenha a rotina que tinham antes, os mesmos horários de comida e passeios (no caso dos cães) e tente se organizar para estar mais em casa nos primeiros dias para ficar de olho nele. No caso dos cães, se ele parecer ansioso, aumente o passeio, jogue uma bolinha, distraia-o de alguma forma. Só não use petiscos! Petiscos podem fazer com que ele ache que está sendo premiado por estar nesse estado, e nós não queremos isso.

No caso dos gatos, inicialmente pode-se colocar tudo dele em um cômodo, deixá-lo só nesse cômodo e esperar que ele demonstre tranquilidade e vontade de sair para explorar o resto na nova casa. Vale fechar alguns cômodos, e ir abrindo conforme ele se acostume com os primeiros. Se ele estiver muito agitado ou com medo, deixe nesse cômodo inicial pelo tempo que for preciso até ele relaxar, e tente brincar e animá-lo a interagir.

2. Se o pet não estiver hospedado, mas com você o tempo todo, o melhor é tentar isolá-lo o máximo possível do processo. Use o quarto que ele estiver acostumado a dormir como bunker, coloque tudo dele lá e não deixe que estranhos entrem. Como você vai fazer para fazer a mudança desse quarto vai depender de cada caso … e da sua criatividade.

Como exemplo prático, vou contar como fiz quando me mudei.

O Ludwig (cachorro) foi para a hospedagem na quinta de manhã, e o Simba e a Nala (gatos) ficaram. Eu mesma tirei o que pude do meu quarto na quarta-feira, e quando o pessoal da embalagem chegou, fechei os gatos lá, com comida, água e banheiro por todo o dia. A noite deixei saírem. Acharam meio estranho aquele monte de caixas e coisas enroladas, mas já não tinha ninguém estranho, então ficaram bem. No dia seguinte, trancados no quarto (e a chave no meu bolso para evitar acidentes) enquanto as coisas desciam para o caminhão. Quando chegou a hora de irmos (já tinham descido tudo, só faltavam os móveis do meu quarto), saí com eles nas caixinhas e seus pertences em sacolas direto para carro. Cheguei no apto novo junto com o caminhão e rapidamente, coloquei-os com todas as suas coisas no novo escritório. De novo porta trancada e chave no meu bolso. Conforme as coisas iam entrando, arrumamos o que deu, priorizando o meu quarto. À noite, quando tudo estava calmo, isolei cozinha e sala e abri a porta do escritório. Aos poucos, quiseram explorar. Corredor, meu quarto, banheiro … deixei. Não comeram bem esse dia, mas dormiram comigo normalmente, e no dia seguinte (sábado) já estavam mais relax, indo e vindo entre os cômodos. Quiseram explorar o resto do apto, deixei, e como estavam tranquilos, já botei banheiros e comidas nos lugares definitivos, e eles comeram e usaram os banheiros numa boa. O domingo foi dedicado à arrumação, mas sem estranhos em casa, então ficaram super bem.  Na segunda-feira, Ludwig chegou da hospedagem já com suas coisinhas todas arrumadas. Ele cheirou tudo ficou de olho meio arregalado, do tipo “porque tudo nosso está nessa casa estranha?”. Passeamos para relaxar, ele já animado com os novos cheiros da vizinhança. Comeu e dormiu bem e durante a semana foi relaxando cada vez mais. No fim de semana seguinte já estávamos todos “em casa”, felizes com nosso novo espaço.

Um ponto importante de mencionar, é que apesar de entendermos e respeitarmos o tempo de cada pet para se adaptar, as regras básicas da casa e de comportamento não podem ser negligenciadas por conta da mudança. O local do banheiro precisa ser mostrado e reforçado com consistência, talvez seja preciso corrigir latidos para barulhos novos na vizinhança e mostrar que não são nada demais. Isso tudo a partir do primeiro dia, pois é mais fácil já adaptar certo do que ter que corrigir depois. Com persistência, paciência e carinho, qualquer lugar rapidamente se torna um lar, afinal, o que nossos pets mais querem é estar conosco, não importa onde!  

 

Rio, junho de 2025
Daniela Prado
Sócia Fundadora Okena PetChef
Especialista em Comportantento LordCão Treinamento de Cães

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