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Rotina Alimentar e Estilo de Vida

Enriquecimento Ambiental na vida moderna dos nossos pets

O que mudou no estilo de vida:

Apesar de nossos cães e gatos terem sido “domesticados” ao longo dos últimos 10 a 15 mil de anos, seus estilos de vida, hábitos e rotina alimentar não sofreram grandes mudanças até bem pouco tempo atrás.

Mas últimos 50 ou 60 anos, eles vieram conosco das antigas casas e sítios em que morávamos, para nossos novos apartamentos. Com isso restringimos seu acesso a ambientes externos e a outros animais, e limitamos sua quantidade exercícios. Depois passamos a oferecer ração seca como alimento principal, e a alimentá-los sem que eles precisem fazer nada para isso. Raros são os cães que “trabalham” ou os gatos que caçam hoje em dia.

O bom da vida moderna:

Por um lado, isso é muito bom, eles estão mais seguros e amados do que nunca e a medicina veterinária evoluiu enormemente. Hoje temos mais exames e especialistas veterinários do que jamais tivemos. além de vacinas e remédios para muitas doenças que antigamente comumente levavam nossos amados cães e gatos de repente.

Por outro lado …

O ruim da vida moderna:

Doenças como obesidade, diabetes, problemas renais, cardiopatias, alergias  e problemas articulares, entre outros, foram aumentando e recentemente explodiram em nossos pets.

Cada vez mais, veterinários e pesquisadores chegam à conclusão que muitos desses problemas têm ligação direta com a alimentação e estilo de vida que temos dados a eles. Pouco exercício, pouco estímulo mental, pouco “sol, água fresca e terra”, e uma rotina alimentar com muitas calorias biologicamente inadequadas, altamente glicêmicas e poucos micronutrientes aparecem cada vez mais como os vilões dessa história.

Como ilustração, temos o fato interessante de que os 9 cachorros mais velhos do mundo hoje em dia têm 3 coisas em comum – alimentação natural, alta carga de exercícios e muito estímulo mental.

Felizmente hoje temos conhecimento e tecnologia suficientes para melhorar a saúde dos nossos peludos sem abrir mão do nosso estilo de vida e da praticidade à qual nos acostumamos.

Aqui vão algumas dicas para isso:

1. Aderir à alimentação natural, ou pelo menos inserir 1/3 de alimentos frescos na rotina alimentar do pet.

Nós somos suspeitos para falar de alimentação fresca, né? Não temos dúvidas que é a melhor opção! O que muita gente não sabe é que um estudo publicado nos EUA em 2018 mostrou que adicionar 1/3 de alimentos frescos à ração industrializada dos pets já trás benefícios para a sua saúde. Pode ser misturando na ração, alternando com ela ou complementando-a. O alimento fresco e variado estimula o olfato, o paladar e até mesmo a curiosidade e instinto de investigação do peludo. Dê uma olhada no nosso artigo 8 super alimentos que você pode oferecer para seu pet para algumas inspirações!

E enfim, não, alimentação natural não dá trabalho! É só entrar no site da Okena PetChef, escolher seu pacote e ela chegará prontinha na sua casa 😀

2.    Estimulá-lo a trabalhar um pouco pela refeição, para que tenha estímulos mentais e valorize a hora de comer.

Ensinar o mínimo de obediência é muito importante para todos os cães. Reforça a hierarquia, ensina a ouvir, a ter foco e vontade de colaborar. Se você não se anima a fazer aulas “formais” com seu pet, a hora das refeições pode ser uma alternativa para o mínimo de treino. Ela é perfeita para isso, já que interação social aliada a regras para comer são naturais nas matilhas. O líder define a hora de comer/caçar/treinar, define as regras e no final todos são premiados com a comida. Só precisamos copiar o modelo e adaptar para a nossa realidade.

Você pode começar com um simples “vem”, e “senta”, na hora de comer. A cada comando bem executado você dá uma pequena porção da comida que já estará previamente dividida (pode ser uma colher de cada vez). Com isso exercício pode ser repetido algumas vezes. Quando estiver perfeito, pode-se entrar com o “deita” e até o “andar junto”. Sempre premiados com uma porção/colher da comida.

E quando você estiver sem tempo?

Uma opção é exercitar a caça usando potinhos escondidos pela casa, que o cão tem que procurar, achar e abrir para comer. As primeiras vezes você terá que mostrar a ele como fazer. É impressionante como eles aprendem rápido a fazer sozinhos. Uma cliente nossa enche um “Kong” (cone de borracha oco) com a comida, congela e dá para o seu cachorro antes de sair. Ela botou uma câmera e viu que o peludo se diverte lambendo e comendo conforme o gelo vai derretendo. Dica dela: amarrar o Kong no pé da mesa da cozinha para ele não levar para a sala! Afinal, você não quer “aguinha” de comida no seu tapete …

Já no caso dos gatos, as caçadas eram solitárias e essa coisa de liderança é meio relativa … então eles se adaptam melhor ao modelo da caixinha, adoram! Você também pode prender a caixinha numa vara e estimulá-lo a caçá-la! Existem no mercado hoje vários brinquedos que fazem esse papel, verdadeiros quebra-cabeças para os peludos chegarem até a refeição.   

Se você ainda usa ração seca (tsic, tsic, tsic), uma garrafa pet com furos vira um bom “dispenser”, para a refeição ao ser rolada com as patas e focinho. Caso prefira algo mais rebuscado, existem bolinhas, bastões e outros brinquedos especiais que fazem o mesmo serviço. A opção dos potinhos escondidos também funciona.

3.    Dar a ele estímulos físicos.

No caso dos cães, nada como um bom passeio antes das refeições para simular a movimentação de caça, migração, pastoreio, ou outras das atividades que eles fizeram por milênios. Seja qual for seu tamanho, todo cachorro precisa passear.

Contudo, depois da cheirada inicial e daquele xixi que estava apertado, uma parte da caminhada deve ser metódica e ritmada, tipo marcha mesmo, para fazer o coraçãozinho acelerar, os músculos trabalharem e o sistema todo funcionar. Ele precisa ter a sensação de caminhar em matilha, patrulhar seu território, ver novidades, sentir cheiros, ouvir barulhos, pegar um ventinho no focinho e cheirar as fofocas da vizinhança nas árvores e postes.

Mesmo o menor dos Chihuahuas é um honrado descendente dos antigos cães de trabalho! Não tire isso dele! Mas lembre-se que depois de um passeio vigoroso, é importante esperar que a respiração dele volte ao normal e o corpo esfrie antes de oferecer a comida.

Já no caso dos gatos, que normalmente não gostam de passeios, temos que usar a imaginação em casa mesmo. A “gatificação” de partes da casa é última moda. São móveis, prateleiras, nichos e redes para darmos aos felinos domésticos um espaço mais verticalizado e interessante. Juntando a isso uma ponteira de laser ou aquela varinha com a pena na ponta, é só começar a botar o pancinha para correr, pular e caçar.  Dê uma olhada no nosso artigo sobre enriquecimento ambiental para gatos para mais dicas.

4.    Se seu pet ainda come ração, melhorar sua hidratação.

Uma presa tem em torno de 80% de água em seu corpo, uma boa alimentação natural também. As Raçoes de em torno de 7%. Então, mesmo bebendo bastante água, um peludo que come somente ração estará cronicamente desidratado pois ele dificilmente beberá o suficiente para transformar 7% de umidade em 80%.

Um paliativo é molhar a ração antes de dar, deixando que absorva a água por em torno de meia hora até virar uma esponjinha. Porém, no Brasil temos que tomar cuidado com isso nos dias mais quentes, por perigo de fermentação. Então se você optar por essa técnica, é melhor deixar na geladeira. Outra opção é botar água na hora, fazendo tipo um sopão, mas alguns pets, principalmente os gatos, rejeitam a ração dessa forma. Resta então induzir o consumo de água entre as refeições, o que pode ser feito usando fontes, dando gelo para lamber, misturando um pouco de água de côco ou outra coisa na água ou qualquer outra forma que vocês possam pensar. Mas o melhor mesmo, é mudar o peludo para uma comida biologicamente adequada.

Concluindo

Todo estilo de vida tem seus prós e seus contras, mas felizmente vivemos numa época em que podemos proporcionar aos nossos cães e gatos o melhor dos 2 mundos! Trazermos de volta uma rotina alimentar e um estilo de vida mais saudáveis e biologicamente adequados enquanto continuarmos a amá-los loucamente!

Para entender melhor as vantagens da Alimentação Natural para cães e gatos, temos esse post: https://blog.petchef.com.br/alimentacao-e-saude/por-que-trocar-a-racao-do-meu-pet-por-alimentacao-natural/.

Para informações sobre alimentação natural crua ou receitas para fazer em casa, dê uma olhada no site www.cachorroverde.com.br da Dra Sylvia Angélico . E para informações e idéias sobre gatificação de ambientes, tem o site https://ofazedor.com/ , que é bem legal.

Como e escolher um cão:

Opções para ter o companheiro que você sempre sonhou.

Quase toda família passa por aquele momento complicado no qual a criança acorda de manhã e ao invés de dar bom dia solta um: Mãe, eu quero um cachorro!

Passado o pânico inicial, vem a dúvida: queremos um cachorro? Que cachorro? Como escolher o cachorro dos sonhos?

Por nossa tradição e cultura, quando a resposta à primeira pergunta é “sim”, o pensamento seguinte é: Que raça? Onde comprar?

Muitas vezes a pessoa não tem preferência por uma raça ou tipo, mas simplesmente acha que tem que escolher uma raça, já que quer um cachorro. Mais ainda, ela acha que além de escolher uma raça tem que comprar um filhote em algum lugar.

Pois é, um dos objetivos deste texto é mostrar que existem outras opções, opções estas que muitas vezes são melhores que a compra de um filhotinho para o Natal.

Para facilitar, vamos por tópicos:

O que é uma raça

As raças derivam das funções que os diferentes tipos de cães exerciam no passado, em suas regiões de origem. Por exemplo, na Escócia, o cão pastor de ovelhas era o Border Collie, na Inglaterra, o Old English Sheepdog, na região de Flandlers, o Bouvier. Na Alemanha, o boiadeiro era o Rottweiler, na Austrália o Australian Cattle Dog e por aí vamos. O mesmo acontecia com os cães que controlavam roedores (terriers), os de caça (hounds) e até mesmo os de combate.

Ou seja, as pessoas escolhiam os cães de acordo com o que queriam fazer com eles, e não por seu visual.

Com o tempo, muitas dessas funções foram desaparecendo e muitos criadores passaram a criar raças somente por seu aspecto físico (o que é um erro, mas isso é outro artigo). Contudo, os traços de comportamento que foram fixados ao longo de gerações durante a evolução da raça continuam lá. Um terrier será sempre um terrier, um sabujo será sempre um sabujo. Mesmo que não levemos isso em conta na hora de escolher nosso companheiro, teremos que lidar com as consequências. E muitas vezes essas consequências são: donos frustrados e cães infelizes, por simples incompatibilidade.

Ou seja, se você sonha com “aquela” raça, ou acha aquela outra liiiiiiinda, pesquise antes de decidir. Veja se a raça é compatível com seu modo de vida e suas expectativas antes de comprar seu cão. Se for, ótimo, se não for… procure uma que seja. Tentar mudar a natureza de um cão dificilmente funciona.

Cães para companhia

Mas e se você nunca sonhou com nenhuma raça em especial? E se, como a grande maioria de nós, você está pensando: Função? Que função? Só quero um cachorro para me fazer companhia e brincar com as crianças!

É fato que hoje, a grande maioria das pessoas tem cães apenas para companhia, no máximo para ser um incentivo para caminhadas ou corridas. Poucos querem cães para guarda ou para esportes como agility. A maioria de nós quer apenas um focinho gelado e um rabo abanando quando chegarmos em casa à noite.

Raça ou indivíduo?

Se você é uma dessas pessoas, você não precisa de uma raça, mas sim de um indivíduo. Você precisa de um cão que se adeque a seu estilo de vida, independente de raça. Esse indivíduo deve ser escolhido com cuidado, mas de forma pessoal, e não genérica.

Para isso, adotar um mestiço ou belo vira-lata pode ser a melhor solução. Vira-latas, ou SRDs (Sem Raça Definida) têm algumas vantagens. Primeiro, são geralmente mais saudáveis que os de raça, pois sua variedade genética é maior e por isso têm menos doenças de fundo genético como cardiopatias, displasia, epilepsia, alergias, etc. Segundo, cada um é diferente e único, o que, convenhamos, é um charme, você terá um modelo exclusivo! E terceiro, são de graça, existem muitos abrigos bacanas que entregam cães saudáveis, vacinados e até mesmo castrados, o que já é uma grande economia (lembrando que uma doação para o abrigo é sempre de bom tom, afinal eles poderão ajudar outros cães).

Mas existe diferença entre mestiço e vira-latas (srds)?

Existe. Comumente se chama de mestiço o cão que resulta do cruzamento de duas raças, ou de um cão de raça com um vira-lata.  Já vira-lata ou srd é o cão “sem raça definida”, aquele que pode até ter alguma raça no sangue, mas esta não é obvia ou não se sabe.

A diferença básica é que no mestiço, as características físicas e comportamentais das raças envolvidas estão presentes, enquanto que no vira-lata não, nele o que aparece são somente as características pessoais dos pais.

Comprar ou adotar?

Os parágrafos acima já respondem boa parte desta pergunta, mas não toda. Isso porque muitas vezes pode-se adotar um cão de raça. Muitos abrigos e até criadores responsáveis resgatam cães de raça, cuidam, castram e os colocam para adoção.

Comprar?

Ou seja, comprar é a opção se você deseja um filhote de uma determinada raça, seja por aparência, temperamento ou função. Neste caso, procure um bom criador. Tenha certeza que ele cuida bem de seus cães faz todos os testes e controles de saúde e temperamento necessários. Compre um legítimo exemplar da raça que escolheu, portador não só das características físicas, mas também do temperamento esperado. E sobretudo, que seja fruto de um trabalho de amor e dedicação, e não de exploração animal. Nesse caso, leia nosso artigo Encontrando um bom criador de cães.

Adotar?

Se a raça não for importante para você, ou sua opção for um cão adulto, adote. Pesquise abrigos e ONG. Visite mais de um e escolha com cuidado um indivíduo que seja compatível com sua rotina e estilo de vida. Leve em conta tamanho, grau de atividade e temperamento. Nos bons abrigos, os voluntários e tratadores conhecem o temperamento dos cães e podem ajudar na escolha. Faça muitas perguntas, converse, observe os cães juntos e separadamente. Quanto gostar de algum, dê uma volta com ele, fique um tempo sozinho com ele e veja como reage. Não seja impulsivo, nem tenha pena e leve o primeiro que pular no seu colo. Faça uma adoção consciente e responsável. Não podemos levar todos, então adote o que será mais feliz em sua casa e lhe fará mais feliz também.

Filhote ou adulto?

Essa é minha pergunta preferida. Trabalhando com cães há 25 anos, tendo escolhido, treinado, comprado, vendido e recolocado um monte de cães, fico muito à vontade para responder que geralmente um adulto é muito mais recomendado que um filhote. Já perdi a conta de quantos filhotes dados para avós e tias foram devolvidos ou doados porque as pobres senhoras viviam mordidas, arranhadas, derrubadas e com a casa suja. Quantos outros tiveram o mesmo destino porque seus donos tinham que trabalhar o dia todo e eles choravam quando deixados sozinhos até serem expulsos do prédio. E quantos outros cresceram presos nas cozinhas de seus donos porque mordiam as crianças e destruíam o apartamento.

Em todos esses casos, a compra do filhote foi feita com a melhor das intenções, mas sem levar em conta que filhotes são filhotes, e se comportarão como filhotes. A adoção (ou compra) de um adulto teria sido a melhor opção.

Adultos são tudo de bom!

Cães adultos são mais calmos, não mordem as mãos, não arranham, não pulam e não roem a casa. Existem exceções, é claro, mas são exceções, e voltamos à questão de escolher bem.  São mais fáceis de treinar para fazerem suas necessidades no lugar certo, para ficarem sozinhos, e, o mais importante: já tem sua personalidade definida. Quem não conhece um lindo filhote que cresceu e virou o Godzila? Pois é, a idéia de que um filhote será bonzinho e amigo das crianças só porque foi criado com elas é um grande engano.

Grande parte do temperamento dos cães é herança genética, mas só aparece com o amadurecimento. Muita gente acha que os cães “mudam” depois dos 2 anos. Mas não é isso, a verdade é que nessa idade eles deixam de ser filhotes e apresentam seu real temperamento. Ou seja, um adulto que goste de crianças vai sempre gostar, os que gostam de colo vão sempre gostar, os que são mal humorados continuarão sendo. Você já sabe o que tem em mãos, basta obter essas informações de quem estiver cuidando do cão.

Neste ponto você está pensando: mas e o apego? Um adulto não se apega da mesma forma. Ledo engano. Cães adultos se apegam tanto quanto filhotes, e se transformam em companheiros sensacionais. É claro que eles precisam de um tempo para conhecer as pessoas e ganhar confiança (assim como o filhote). Às vezes têm alguma mania ou medo que deverá ser trabalhada, mas nada que duas semanas de paciência e dedicação não resolvam. Especialmente no caso de cães para idosos, as vantagens de um adulto são inomináveis. Ele será um companheiro pronto, e não uma bolinha de pêlos que era para ser um prazer e vira um grande problema. Claro que existem casos em que deu tudo certo, mas garanto que teria dado com um adulto também.

Filhotes são tudo de bom também!

Mas então ninguém deve adotar/comprar um filhote? Claro que não! Se você tem tempo, disposição e condição física de educar e dar a atenção que o filhote precisa, vá em frente. Eu adoro filhotes, sua energia, suas artes e acompanhar seu crescimento são experiências deliciosas. Mas não é para todo mundo, e é importante que as pessoas saibam que existem opções.

Nosso objetivo com este artigo foi mostrar essas opções e explicar um pouco cada uma delas. Qualquer que seja sua escolha, ela seja consciente e traga muitos anos de felicidade para você e para seu novo companheiro!

Links relevantes: Confedereção Brasileira de Cinofolia, Brasil Kennel Klub, GARRA, Quatro Patinhas, Focinhos de Luz e outras ONGs.

Como encontar um bom criador de cães

Em nosso texto Como Escolher um Cão, falamos sobre adoção ou compra de cães. Durante o texto, mencionamos que quando a opção é a compra, só se deve comprar filhotes em bons criadores. Aí vem a pergunta: O que é um bom criador, e como encontrá-lo?

Onde procurar?

Vou começar pelo mais fácil: como encontrá-lo. Isso já foi um grande problema, mas hoje em dia, com a facilidade de comunicação via internet, ficou bem mais fácil. Você pode pesquisar Clubes de raça, sites dos criadores, canais especializados e mídias sociais. E claro, pedir indicação para veterinários ou para donos de exemplares da raça que deseja. Nós não indicamos a compra de filhotes em pet shops ou feiras.

Uma vez encontrados alguns criadores (sempre contate mais de um), falta descobrir se são bons. Para isso vamos a algumas dicas:

1. Veja se ele tem conhecimento da raça.

Eu ia colocar em primeiro lugar “amor pela raça”, mas seria um erro. Quando falamos em “criação”, amor não basta. Muitas pessoas amam verdadeiramente a raça que possuem, mas por falta de conhecimento acabam prejudicando o futuro da mesma, fazendo cruzamentos errados ou cruzando exemplares que não deveriam reproduzir.

Um esclarecimento importante é que qualquer pessoa que cruze cães se torna um criador. Isso inclui aquela vizinha que cruza seu casalzinho de salsichas uma vez por ano e diz “eu não sou criadora, só cruzo porque gosto da raça”. Do momento em que nasceram filhotes, ela virou criadora sim. É importante que as pessoas se conscientizem disso. Colocar vidas no mundo é uma tremenda responsabilidade, e um ato que deve ser encarado com seriedade.

Quantas pessoas cheias de boas intenções cruzam labradores hiperativos? De cores que não se pode misturar (não é só estética, afeta saúde e temperamento)? Golden retrievers sem controle de displasia? Rottweilers agressivos? Cockers malucos? Poodles com cataratas? Terriers histéricos, dálmatas agitadíssimos? A lista é interminável. Essas pessoas são boas pessoas, geralmente até bons donos, mas péssimos criadores. Pois mesmo sem intenção, colaboram com a degeneração da raça que tanto amam. Quem tem mais de 40 anos lembra do que aconteceu com os pequineses nos anos 80 … Então, não basta ter amor, o criador tem que ter conhecimento e responsabilidade.

Pergunte tudo sobre a raça

Seu padrão físico e de comportamento, as doenças mais comuns, os defeitos, as qualidades, a quem ela se adapta ou não, os cuidados necessários. Um bom criador te mostrará sempre os dois lados, até mesmo enfatizando os defeitos e dificuldades, já que geralmente são estes os responsáveis por devoluções a abandonos. Raça perfeita não existe, todas têm seus prós e contras, e nenhuma serve para todo mundo.

Desconfie de criadores que criam muitas raças, ou que mudam de raça conforme a moda.

2. Veja se ele conhece sua linhagem e seus cães

Peça explicações sobre a linhagem que ele escolheu e sobre seus cães em particular.

Em todas as raças, existem várias linhagens de cães, que geralmente foram desenvolvidas pelos primeiros criadores da raça, e/ou por criadores que tinham algum objetivo específico. Muitas vezes a diferença é física, mas geralmente diz respeito ao temperamento, coisa que influenciará decisivamente a relação do filhote com seu novo dono. Um bom criador sabe as características da linhagem de seus cães, suas aptidões e possibilidades. Um criador que não saiba que linhagem possui (tem uns que nem sabem que isso existe…), nem explique porque a escolheu … esqueça! Você certamente conhece alguém que levou para casa um lindo filhote de labrador tendo em mente um obediente guia de cegos, quando na realidade comprou um caçador de patos cheio de energia!

Árvore genealógica importa

Nesta hora, o bom criador vai mostar e explicar os pedigrees dos pais da ninhada, dizer porque escolheu este cruzamento e o que espera dos filhotes. É a hora de checar os exames de saúde dos pais da ninhada. Os mais comuns hoje em dia são: radiografia coxo-femural e de cotovelos, exame de patela, exames cardíacos e exames oftálmicos. Mas isso varia de raça para raça, o melhor é pesquisar sobre a raça escolhida antes da visita para saber o que pedir.

Os indivíduos também

Também é importante que ele conheça bem seus próprios cães. Pode parecer estranho para o leigo, mas infelizmente ainda é comum criadores ruins terem cães que vivem em canis ou gaiolas, que não convivem com o dono nem com sua família. Nesse caso, como ele poderá saber como é seu temperamento? São muito agitados? São calmos? Algum é medroso? Mordem? Então peça para ver os cães, peça para que sejam soltos com você para que você possa observar seu comportamento e interação. E peça uma descrição de cada um. Isso vale tanto para raças pequenas como grandes, e mesmo para as raças de guarda. Cães de guarda não devem ser feras assassinas, devem ser cães seguros e sociáveis na presença do dono. Lembre-se que temperamento e saúde são genéticos, então os pais e a linhagem de seu futuro bebê são muito importantes.

3. Sinta se o criador está querendo se livrar logo dos filhotes

Um bom criador cria por amor à raça, e às suas qualidades. Desta forma, a última coisa que ele/ela quer é que um de seus filhotes vá para uma família aonde não irá se adaptar e ser amado e apreciado como deve. Bons filhotes são minoria em qualquer raça, então, quem cria bem tem sempre quem queira seus “bebês” e por isso, estará mais interessado em ter certeza de que você será um bom dono do que em te convencer a comprar o filhote.

Fora isso, ele também deve ter espaço e disposição para manter os filhotes até pelo menos os 50 dias de idade. Mesmo desmamado, nenhum filhote deve sair da companhia da mãe e dos irmãos antes disso, é muito importante para seu futuro desenvolvimento.

4. Tem que ter pedigree sim!

Muitas vezes a pessoa que quer somente um companheiro pensa: não preciso de pedigree, não quero criar nem fazer exposições. Grande engano. Se você está comprando um filhote de raça, o mínimo que o criador tem que fazer é registrar toda a ninhada. Um pedigree custa hoje (maio de 2023) R$63,00, sabia? Pois é, aquela conversa que pedigree é caro é mentira de criador ruim, que vende ninhadas que não poderiam ser registradas, mas não diz isso. Ele mente, diz que é caro e aí a pessoa abre mão, achando que não faz diferença.

Outra mentira comum é que o novo dono é que tem que registrar o filhote. É impossível, só o dono da cadela mãe da ninhada pode registrar os filhotes. Mesmo com cópia de todos os documentos, o comprador nunca poderá registrar seu cão, é uma regra internacional, válida em todos os órgãos da cinofilia.

Pedigree é o mínimo

Apesar isso tudo, o pedigree garante apenas que os filhotes são puros, filhos de pais daquela raça. Só isso. Ele não garante qualidade, nem saúde, nem temperamento. Por isso são necessários os outros controles e testes, o pedigree é apenas um registro genealógico. Por isso é barato. Então pense bem, você acha mesmo que um criador que não gasta R$63,00 por filhote para registrar, e com isso provar que seu filhote é puro, vai ter feito todos os exames de saúde e seleções de estrutura e temperamento que a raça exige? Ele vai ter gasto em vermífugos e vacinas de qualidade? Ele usa alimentação de qualidade? Será?

Outra situação é a da pessoa que não registra a ninhada porque acha que não é criador (aquela vizinha dos salsichas mencionada no início do texto, lembra?), que pedigree é bobagem, o que importa é o amor pelos bichinhos. Bom, a questão é que esta pessoa não deveria estar cruzando seus cães e vendendo filhotes, pois dificilmente terá feito os controles necessários, voltamos ao problema do item 1. Se tiver feito tudo certinho, menos o registro, tudo bem, mas sinceramente, até hoje eu nunca vi isso acontecer …

Mas se você realmente não faz questão de nada disso, tudo bem, realmente é muita coisa para checar só para ter um cãozinho em casa, mas então não compre um filhote teoricamente de raça, adote um focinho carente, ele te fará tão feliz quando o de raça e não dá esse trabalho todo para escolher. Mas, se é para ser de raça, que tenha tudo direitinho, se não, não faz sentido. Por que comprar um filhote sem nenhuma garantia de origem, saúde, estrutura ou temperamento da raça escolhida? Se é para ser sem histórico, volto a dizer, melhor não comprar.

5. Você poderá contar com o criador no futuro?

Por mais que você estude e pergunte, dúvidas surgirão, e imprevistos também. Um bom criador se mostra disponível para te ajudar e assessorar durante toda a vida de seu filhote. Alimentação, exercícios, treinamento, exposições, acasalamentos, você pode resolver fazer um monte de coisas com seu filhote, e precisará de alguém experiente para lhe ajudar a tomar decisões e escolher o melhor para ele. Os assuntos de saúde devem sempre ser tratados por seu veterinário de confiança, mas um criador experiente poderá te ajudar a enfrentar eventuais problemas com mais segurança. Fora o fato dele conhecer bem a linhagem e a família de seu cão e poder dar ao veterinário informações que de outra forma ele não teria acesso. Se você nunca precisar dele, ótimo, mas ele tem que ser disponível.

6. O preço dos filhotes condiz com tudo isso?

Agora você já tem uma idéia de como funciona uma criação correta. O criador correto e ético:

Além disso, ele estuda a evolução da raça, vai a eventos, conversa com as pessoas, enfim, dedica uma parte de sua vida e seu tempo a seus cães.

Sabendo disso tudo, quando custa um filhote desses ?

Não dá para botar um preço fixo aqui, até porque tudo isso varia de raça para raça e até de estado para estado, mas leve em conta que esse filhote nunca poderá custar R$500,00, como aqueles do anúncio no Mercado Livre. O bom criador não vive da criação, mas sempre precisa pelo menos repor parte do investimento que faz e dos gastos que tem com seus cães, então deverá cobrar um preço justo por seus filhotes. Leve em conta que seu cão deverá viver uns 12 anos, então o preço de custo dele será o menor dos seus gastos …

Que tal adotar ?

Mais uma vez vou lembrar: você não quer nada disso? Achou tudo um exagero? Tudo bem, adote um filhote sem controle, mas não compre! Não ajude os fabricantes de cães a produzirem filhotes que muitas vezes terão problemas de sérios de saúde e/ou de temperamento para ganhar dinheiro fácil. Milhões de cães são sacrificados em abrigos todos os anos, e um grande número destes nasceu na casa de alguém ou num canil de fundo de quintal, não nas ruas. A única forma de acabar com a má criação e o comércio indiscriminados de cães é através da conscientização dos compradores. Bons criadores são necessários, pois sem eles as raças acabariam, aliás, sem eles as raças nem existiriam. São pessoas dedicadas, apaixonadas e perseverantes, que merecem todo apoio e respeito. Maus criadores têm que acabar, faça a sua parte.

Links relevantes: Confedereção Brasileira de Cinofolia, Brasil Kennel Klub, GARRA, Quatro Patinhas, Focinhos de Luz e outras ONGs.

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