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Adotei um peludo resgatado, e agora?

Que adotar um cachorro ou gato é tudo de bom e gente já sabe. Filhote, adulto, sem raça, de raça, tanto faz, a alegria é a mesma e aquele frio da barriga de “será que vai ser tão maravilhoso quanto eu espero?”, também.

Abril é o mês da prevenção contra a crueldade animal, e com isso temos mais companhas de adoção, mais debates sobre o assunto e mais pessoas se sensibilizando e tomando a decisão de dar um lar para um bichinho que teve um começo de vida difícil, ou passou por momentos tristes. Isso é bom demais, e esse texto veio para ajudar quem tem dúvidas ou inseguranças a respeito de como fazer a adaptação de um pet que vem de situação não ideal, ou seja, não nasceu numa casa quentinha, com pessoas cuidando da sua mãe e da ninhada com amor e carinho.

Então aqui vão algumas dicas importantes para ajudar neste novo começo. Elas são válidas em todos os casos, mas hoje darei mais foco nos casos das adoções de resgatados.

Se você optou por adotar um filhote, provavelmente ele não faz ideia do que aconteceu a sua volta, e mesmo que faça, tem condições de superar tudo rapidamente. Se ele estava com a mãe até a adoção e era bem pequeno, sua história não fará grande diferença em seu temperamento. O mesmo vale para os já maiorzinhos, mas que tiveram atenção e suporte após serem resgatados. Estes deverão ser criados da mesma forma que um filhote adotado ou comprado em situação normal. O único caso mais complicado com filhotes é se for um cachorrinho e tiver sido separado da mãe e dos irmãos antes dos 50 dias.

Nesse caso, ele poderá demonstrar algum dos comportamentos típicos desta situação (infelizmente muita gente, e até supostos criadores, separam os filhotes muito cedo, mesmo em situação normal). Estes filhotes são muitas vezes mais ansiosos e mais dependentes, mordem muito as mãos e os pés das pessoas, têm mais dificuldade para aprender o lugar do xixi e são mais propensos a terem problemas para ficarem sozinhos. Esses comportamentos deverão ser encarados com calma e, se preciso, com ajuda de um bom profissional. Todos eles podem ser resolvidos em pouco tempo, basta paciência e perseverança!

Já no caso dos adultos, normalmente não sabemos como foi sua criação, que condição de vida ele teve, e que experiências passou, então é muito importante dar a ele (e a você) as melhores condições de adaptação. Os adultos precisam muito de nossa ajuda, pois menos gente se interessa por eles, apesar de serem uma melhor opção em muitos casos. Em nosso texto https://blog.petchef.com.br/diversos/como-escolher-um-cao/ falamos sobre as vantagens de se adotar um cão adulto e sobre como escolher este novo amigo, dê uma olhada.

Então, indo ao ponto, se você resolveu abrir sua vida a um peludo necessitado, tenha algumas coisas em mente:

Você sabe que o resgatou, e que ele terá uma boa vida daqui para frente, com toda a estrutura e amor, mas ele não sabe. Alguns cães ou gatos ficam bem logo, felizes e relaxados como se tivessem sido seus a vida toda, mas alguns precisam de um tempo. Alguns ficam inseguros, outros quietos e distantes, outros ansiosos e agitados e alguns até agressivos. Dê um tempo a ele. Um tempo para conhecer a casa, conhecer as pessoas, conhecer a rotina, os novos cheiros e tudo mais que vem junto com uma nova realidade. A melhor forma de fazer isso é tratá-lo com naturalidade, mas sem forçar muita intimidade por alguns dias. Mostre a dele um cantinho seguro e confortável, para quando ele quiser se recolher. Dê comida, leve-o para passear (no caso dos cachorros), escove-o se ele gostar, e incentive-o a ficar perto de você, mas sem tentar ficar de chamego ou pegar no colo o tempo todo. Se ele estiver tímido, jogue uns petiscos para ele e depois incentive-o a vir pegar outros na sua mão. Por outro lado, se ele só quiser ficar no colo, incentive sua independência, dê uma caminha para ele, coloque-o no chão e jogue os petiscos para ele. Se a família tem crianças, explique para elas a situação, e que por mais fofinho que o cachorrinho ou gatinho seja, ele precisa de espaço para se adaptar. Daqui a um tempo, ele estará apto a brincar o quanto elas quiserem, mas talvez não nos primeiros dias. Em uma ou duas semanas ele vai perceber que está seguro, que existe uma rotina e vai relaxar.

Lembre-se que para uma adaptação mais rápida, é importante que você seja constante, assim como as regras da casa. Se ele pode subir no sofá, pode sempre, e não só agora que acabou de chegar, ou quando ele está cheiroso. Então o melhor é pensar bem em quais serão as regras, e ser constante desde o primeiro dia. Onde ele vai dormir? Onde vai comer? Qual o lugar certo do xixi? Pode subir na cama? No sofá? Pode pular nas pessoas? Pode latir na janela? Qual a hora de dormir? Quantos passeios ele fará por dia? Ele ganha comida da mesa?  Resolva isso tudo e cumpra o que resolveu. Lembre-se: cada vez que você “não resiste” e faz uma concessão, está confundindo o cachorro e não fazendo um agrado a ele.

Regras são importantes para eles, fazem com que se sintam seguros, com uma noção clara do que pode e o que não pode. A pior coisa para um cão é a dúvida. Gatos lidam melhor com as nossas inconstâncias, pois precisam menos de regras para se sentirem seguros, mas também merecem clareza na comunicação.

Cães e gatos têm uma enorme capacidade de fazer associações e aprender, usam causa e efeito para determinar seus gostos e aversões, e para qualificar o mundo. Sendo assim, eles têm uma enorme capacidade de mudar, de superar e de viver no presente.

Mas para que isso aconteça, nós, humanos, temos que dar a eles a chance de mudar. Para isso, temos que esquecer o passado, e focar no presente.

Se cada vez que o Rex late para alguém na rua, ou avança numa visita, ao invés de corrigi-lo e ensiná-lo a não fazer isso, eu penso “coitadinho, ele foi maltratado no passado, por isso não gosta de estranhos”, estou negando a ele a possibilidade de mudar, e eternizando um comportamento que o estressa. Já se eu o obrigo a se comportar bem na presença dessas pessoas e ficar calmo, ele vai perceber que nada de mal acontecerá. Com algumas repetições desta situação, ele perceberá que estranhos não são mais perigosos, e que ele pode relaxar na presença dele, e quem sabe até ganhar umas guloseimas.

Ou seja, a partir do momento em que levar seu novo amigo para casa, esqueça o passado dele e possíveis tristezas ou traumas. Cães não têm traumas, humanos têm. Cães aprendem que uma situação foi ruim, ficam com medo dela. Mas eles podem reaprender e esquecer, é só a gente ensinar e reforçar. Foque no futuro.

O que é preciso para que ele seja feliz daqui para frente? Exercício, socialização, convivência, segurança, carinho.  Mostre a ele como deve se comportar em cada situação, mesmo que tenha que amorosamente obrigá-lo a obedecer. Não dá para argumentar, nem para convencê-lo na conversa, tem que obrigar mesmo, de forma calma, carinhosa e firme, sem violência, com paciência. Saiba que é para o bem dele e ele logo perceberá isso também e esquecerá o passado.

Outra coisa importante é não tratá-lo como um “coitadinho”, por conta de um passado difícil. Trate-o com amor, respeito e bom senso, mas da mesma forma que trataria um cão bem nascido e bem criado, que nunca teve um problema na vida. Justamente por ter tido um passado instável, ele precisa de segurança, estabilidade e liderança. Ele precisa ter certeza de que de agora em diante está seguro, pois alguém cuida dele e mantém a vida sob controle.

Não se permita viver com pena dele, protegendo e alimentando seus medos e neuroses, é pior para ele. Ele é um cão de sorte, afinal, achou você! Então ajude-o a esquecer o passado e festejar o lindo futuro que tem pela frente.

Como vimos lá em cima, você sabe que é o novo responsável dele, mas ele não, então invista na relação. Programe-se para ter tempo para caminhadas todos os dias, só vocês dois, com tempo para conversas e carinhos, quem sabe até uma água de côco. Se possível procure aulas de obediência em grupo uma vez por semana, é um programa divertido e vai dar a você a chance de observá-lo em meio a outros cães e pessoas, e corrigir os comportamentos inadequados que ele possa ter. Se a casa tem crianças, elas podem participar das aulas e aprender a melhor forma de se comunicar com ele. Treine um pouquinho em casa todos os dias, e verá que a relação vai se fortalecer num instante.

Por mais terrível que tenha sido a situação da qual um cão ou gato foi resgatado, se você tomou decisão de adotá-lo, ele agora é sua responsabilidade, e para o resto da vida. Do momento em que você o adotou, tirou dele a chance de ser adotado por outra pessoa, então tem que dar a ele uma boa vida. Check-up veterinário, vermífugos, vacinas, exames, remédios e castração são responsabilidades suas, direitos dele. Pense bem antes de tomar a decisão, não entre na onda de amigos ou campanhas de televisão, é uma vida que está em jogo, vida esta que dependerá de você de agora em diante. A pior coisa que pode acontecer para um cão ou gato resgatado é um novo abandono, ou ficar pulando de casa em casa, então pense bem. Você tem tempo? Espaço? Disposição? Recursos? Continuará tendo tudo isso num futuro próximo? Leve tudo isso em conta antes de assumir a responsabilidade de dar um lar para um ser que dependerá totalmente de você. Não tem? Pense em fazer lar temporário ao invés de adotar, converse com uma ONG próxima e veja como funciona. É um trabalho super importante para as ONGs, e que não exige uma decisão definitiva sua.

Eu acredito que os animais são anjos, que foram colocados na Terra para tornar nossa existência mais fácil. Se um desses anjos cruzou seu caminho e seu coração disse “esse é meu!”, você é uma pessoa de sorte. A companhia de um cão ou de um gato deve trazer felicidade, deve ser uma solução e não um problema em nossas vidas. Então, siga as dicas acima, e as outras disponíveis no nosso Blog e em outros. Mostre a seu anjinho como ele deve se comportar no mundo dos homens, para que ele se adapte e possa usufruir da sua companhia e de seus amigos em todos os momentos. Te garanto que é tudo que ele mais deseja.

Um grande abraço,
Daniela Prado
Sócia Fundadora Okena PetChef
Treinadora Comportamentalista LordCão Treinamento de Cães

Treinar para quê? Precisa mesmo?

Dog gazing at a stunning sunset from a hilltop serene and picturesquebackground

 

Essa é uma pergunta que a gente escuta muito.

Todo mundo sonha com aquele cachorro de filme. Companheiro, que entende você, que caminha ao seu lado e com quem é possível relaxar e curtir a vida juntos.

O que às vezes fica esquecido, é que aquele cachorro não nasceu sabendo aquilo tudo …  

Infelizmente, muita gente ainda associa treinar o cachorro a ensinar truques e outras bobagens, a torná-lo agressivo para “fazer guarda”, ou a obriga-lo a obedecer a gritos e comandos militarizados que não servem para nada.  
Nada poderia estar mais longe da realidade …

O treinamento moderno é muito mais sobre ensinar uma linguagem, estabelecer uma boa comunicação e com isso construir uma relação harmoniosa e feliz, do que sobre rolar ou dar a patinha. Ele é construído sobre a confiança, o respeito mútuo e a comunicação clara. Um cão bem treinado não é um cão “submetido” ou “quebrado”, ao contrário, é um cão seguro, feliz e equilibrado, capaz de navegar no mundo humano com confiança ao lado de sua família. Ou seja, é aquele cachorro de filme que todo mundo quer!

A base do treinamento moderno é o reforço positivo. Isso significa que, em vez de punir o que o cão faz de ‘errado’, nós induzimos, recompensamos e celebramos os comportamentos que queremos que ele repita. Essa abordagem não apenas acelera o aprendizado, mas também fortalece o vínculo entre você e seu pet, pois ele passa a ver você como a fonte de todas as coisas boas, um líder em quem confiar, e não uma figura a quem temer.

É lindo ver cães felizes, andando bonitinhos com criancinhas, nadando na praia, pegando bolinha, correndo ao lado dos seus humanos, ou deitadinhos calmamente num restaurante numa tarde fresca. Mas a maioria das pessoas não se dá conta que esses cães foram treinados para isso. Às vezes formalmente, com a ajuda de um bom profissional, às vezes informalmente, por seus responsáveis, que já tinham experiência no processo ou apenas talento e paciência. Se pensarmos que a base do treinamento é mostrar o que se espera do cachorro, associar uma palavra à ação, e repetir até que a ação seja internalizada pelo cão, nem sempre é preciso um profissional. Mas mesmo assim, esse “ensinar” é “treinar”.

E é exatamente essa base que abre portas para uma vida de liberdade e cumplicidade.

Então, se o treinamento é sobre construir essa relação, para que treinar seu cachorro?   

* Para ele andar com você tranquilamente na rua.

* Para vocês irem na casa de seus amigos e ele se comportar tão bem que você nunca mais será convidado sem ele! (aconteceu comigo)

* Para vocês curtirem aquele dia lindo (de inverno, outono ou primavera!) na praia, nadando no mar, jogando bolinha e caminhando em paz.

* Para fazerem aquela trilha bacana com banho de cachoeira no final.

* Para irem ao restaurante, ao barzinho e quem sabe até no escritório…

Mas para que todos esses momentos sejam de relaxamento e prazer, é preciso que o peludo saiba:

* Andar bem na coleira;

* Andar solto sem sair de perto de você;

* Vir até você imediatamente quando chamado;

* Ficar sentado ou deitado quietinho ao seu lado;

* Ficar parado em um lugar determinado até que você o chame;

* Se manter calmo e sob controle mesmo em meio a alguma confusão;

* Não latir à toa, e jamais ser agressivo com pessoas ou outros animais.

Todos esses comportamentos, apesar de parecerem muito naturais quando os vemos, não são inatos para a maioria dos cães. Eles foram ensinados, premiados e reforçados, até se tornarem um modo de vida para o pet. É importante entender que o treinamento não é uma ‘fórmula mágica’ ou um evento único. É uma ação contínua que exige paciência, consistência e, acima de tudo, carinho. Cada interação é uma oportunidade de ensinar ou reforçar, e quanto mais tempo passar, melhor e mais natural o comportamento ficará, já que o cachorro vai ficando mais experiente e mais confortável com uma forma de agir que traz prazer e segurança. Por isso cães mais velhos geralmente demonstram melhor esse aprendizado, que fica parecendo totalmente natural, mas não era, o que vemos é o resultado de anos de prática.   

Além de garantir momentos prazerosos em conjunto, o treinamento é um pilar fundamental para a saúde mental e a segurança do seu peludo. Um cão com limites claros e uma comunicação eficaz com seu humano tende a ser menos ansioso, menos estressado e mais confiante. Ele tem um vínculo forte de confiança com seu humano e se sente parte de uma família, o que é fundamental para animais de matilha como os cães. Fora a questão da segurança, onde obedecer prontamente a um comando ou chamado, pode literalmente salvar a vida dele.   

Investir no treinamento é investir em uma vida mais plena, feliz e conectada para você e seu companheiro de quatro patas.  

E se você não se sente pronto para essa tarefa sozinho, ou se seu peludo tem questões específicas que se tornam um desafio maior, procure a ajuda de um bom profissional. Um bom adestrador pode oferecer ferramentas e soluções personalizadas, identificar a raiz de um problema de comportamento e guiar você e seu cão na direção certa para resolvê-lo. Bora treinar?  

Rio, novembro de 2025
Daniela Prado
Sócia Fundadora Okena PetChef
Especialista em Comportantento LordCão Treinamento de Cães

Gostou desse texto? Quer saber mais sobre treinamento ou longevidade para seu pet? Ou sobre superalimentos fáceis de oferecer para seu pet? Ou aprender a manejar um peludo “ruim de boca”? Temos tudo isso aqui no Blog, divirta-se!

“Cuidado, não chega muito perto que ele é ciumento.”

Essa era uma frase bem comum quando eu fazia consultoria. Às vezes era do dono, às vezes da caminha, da comida, dos brinquedos … às vezes de tudo! E geralmente as consequências disso eram o motivo pelo qual eu estava chegando naquele lar.

Mas qual é a definição de ciúmes?

Dicionário Aurélio:

Dicionário Michaelis:

Então … lendo essas definições, será que os cães têm mesmo ciúmes?

Há controvérsias, mas eu sou do time que diz que não. Cães não têm a complexidade de sentimentos, emoções e paranoias necessários para um quadro de ciúmes. O que eles têm é muito mais simples, e muito mais direto – posse e proteção de recursos (sim, você é um recurso, já já falaremos disso).

Um cachorro vai dar valor a uma série de recursos em sua vida. O “grau” desse valor, vai depender em princípio do indivíduo (genética), e sem seguida da sua história (ambiente).

Quais são os recursos básicos mais comuns para qualquer animal (inclusive humanos)?

1.comida/água; 2.abrigo; 3.segurança; 4.prazer.

Quando trazemos um cão para a nossa família, damos a ele tudo isso, e ainda mais, pois nossa atenção e o vínculo que se forma entre nós permeia todos esses tópicos. Ele percebe o nosso cuidado ao dar comida, ao manter a água sempre limpa, ao dividir com ele uma casa segura, dar uma caminha só sua, ou deixa-lo subir no sofá ou cama conosco. Nós adicionamos à vida dele um recurso muito valioso, tanto que passa a ser fonte de outros dois (segurança e prazer): o nosso amor.

Então, quando ele começa a exibir comportamentos que para nós humanos parecem ciúmes, ele está, na verdade, apenas tentando manter o controle sobre esse recurso tão valioso.

Se voltarmos aos dicionários, teremos:

Dicionário Aurélio:

Dicionário Michaelis:

Comparando essas definições com as de ciúmes do início do texto, para mim fica claro que os problemas que vemos com tantos cães não são por ciúmes, mas sim, por necessidade de posse e controle de seus recursos.

Mas por que essa definição é importante? Que diferença faz? Muita!

Se eles realmente tivessem ciúmes seria muito mais complicado resolver o problema, já que envolveria emoções complexas como medo da perda do relacionamento, insegurança afetiva e comparação social. Já a posse e proteção focam no desejo de controlar o recurso e o acesso a ele, só isso. Bem mais simples, apesar de talvez menos lisonjeiro para o nosso ego…

Cães pouco socializados ou mais inseguros são mais propensos a desenvolver problemas de possessividade. A falta de exposição a diferentes pessoas, animais e situações faz com que se sintam ameaçados facilmente, e para compensar, tentem controlar ao máximo seu ambiente conhecido, e os recursos existentes nele. E já sabemos que nós, humanos dos nossos cães, somos um desses recursos, então qualquer mudança na dinâmica normal de atenção (chegada de uma visita, por exemplo), pode ser vista como uma grande ameaça.

Ok, a teoria está linda, mas o que fazer então?

A primeira coisa é entender e internalizar que esse comportamento não é benéfico para o cão, não é agradável para ele e causa stress, mesmo que muitas vezes pareça engraçado ou fofinho, principalmente nos cães pequenos. Existe uma romantização desse “ciúme” por parte de nós humanos, principalmente se for em relação a nós. Nosso ego adora pensar que nosso cão nos ama acima de tudo e todos, ao ponto de não suportar dividir-nos com ninguém. Mas sinto dizer … a base do comportamento é a mesma quando é com você ou com o osso novo que ele ganhou. E isso fica muito claro quando o mesmo cão que não deixa ninguém chegar perto do dono, também não deixa esse mesmo dono tirar o osso novo da boca dele … em ambos os casos, ele está com medo de perder o recurso, e essa não é uma sensação boa.

Então, vamos aproveitar a relação amorosa e única que temos com nossos cães de forma saudável, deixando nosso ego de lado e entendendo que eles precisam da nossa ajuda para se adaptarem à vida na sociedade e desfrutá-la ao máximo. Só nós podemos mostrar para eles como usarem seus instintos naturais de forma positiva num mundo de humanos.

O primeiro passo é fazer seu peludo se sentir seguro em seu dia a dia. Para isso, é importante o máximo de socialização. Passeios, encontros com pessoas e animais novos, cheiros diferentes, sons, terrenos, tudo vai ensinando a ele a lidar com mudanças e imprevistos de forma positiva e prazerosa, e vai fazendo dele um indivíduo mais seguro e feliz. Ao mesmo tempo, regras têm que ser introduzidas, ele precisa saber o que pode, e o que não pode. Exemplo: uma criança veio correndo e o assustou: ele pode se afastar e evitar contato; ele não pode morder.

Treinamento básico é uma benção para qualquer cão, é como a alfabetização para nós, abre um mundo de possibilidades de comunicação. Dá muita segurança para ele entender o que você está dizendo, saber o que se espera dele em cada situação. Não é maldade ensinar um cachorro a obedecer, maldade é deixa-lo inseguro e confuso, sem saber como agir ou reagir aos diferentes acontecimentos.

Outra fonte importante de segurança para ele é a previsibilidade de rotina. Isso às vezes é desafiador na nossa vida corrida, mas dentro do possível, o ideal é que ele tenha estabilidade. Exemplo: ele dorme na caminha dele no meu quarto. Quando eu acordo, abro a porta e vou até a cozinha para ele beber água e fazer xixi. Quando tomo meu café, dou a comida dele e depois saímos para passear. Voltamos, ele fica em casa e eu saio para o trabalho. Chego em casa do trabalho, saímos para uma voltinha, e quando eu janto dou a comida dele.  Claro que existem milhões de variações: crianças, outras pessoas na casa, passeadores, faxineiras, home office, a vida de cada um nessa rotina, mas ele ter alguns pontos de certeza faz muita diferença.

Por fim, ensinar a ele que os recursos estão seguros e disponíveis, ele não precisa brigar por eles.
Exercícios como:

E por último, mas não menos importante, ensinar que comportamentos agressivos não são aceitáveis, nunca. Ele nunca pode conseguir o que quer através de ameaça ou agressão. Rosnou quando você passou perto do prato? Não se afaste, fique lá, ou até se aproxime mais, até que ele pare. Rosnou para tirar o brinquedo? Tire assim mesmo (se achar que ele vai morder, coloque uma luva, ou enrole a mão numa toalha), devolva e repita, até ele parar de rosnar. Entrou entre você e outra pessoa no sofá? Coloque-o para o outro lado, ou no chão, e não deixe voltar. Rosnou quando alguém feio falar com você? Afaste-o de você e continue falando com a pessoa.

Importante : em todos esses exemplos, se o quadro de agressão já está instalado, ou seja, o peludo já faz isso rotineiramente, não está só começando e testando limites, ou se ele fica seriamente agressivo, procure a ajuda de um bom treinador. Lidar com essas situações pode ser desafiador, e até perigoso, você precisará de ajuda. Mas não desista, afinal, cachorro é tudo de bom, vai valer a pena 😊.