Comida Pet de Verdade!
Entregamos no RJ e em SP !

Conhecer para Cuidar: sobre lendas e porque eu resolvi fazer alimentação natural para Pets

Há 12 anos, a Okena nasceu de um desejo muito claro: mudar a forma como alimentamos os nossos pets.

Mas essa história começou anos antes, com duas perdas dolorosas que me fizeram questionar o que eu achava que sabia sobre alimentação para cães. Eu sempre cuidei de bichos, (sim, fui uma daquelas que ganhou o pintinho na feira que virou galo em casa…). Sempre segui as recomendações tradicionais, oferecia ração de qualidade, não misturava nada, e confiava que aquilo era o certo, o melhor. Mas a vida me ensinou de um jeito difícil que o “tradicional” nem sempre é o melhor.

Tem tantos mitos nos quais a gente acredita sem questionar … quando fiz minha formação de treinadora comportamentalista na LordCão, aprendi sobre vários, e por anos ajudei meus clientes a superarem essas falsas crenças que tanto atrapalham a vida dos cães e suas famílias. Mas de alguma forma, o mito da ração  industrializada permaneceu, as informações passadas pela indústria da alimentação animal sendo aceitas sem questionamentos.

Em 2005, eu tinha 5 cães, e de repente, em 2 anos perdi dois para o câncer, e a terceira acabava de ser diagnosticada. Todos com menos de 10 anos. Companheiros incríveis, para quem eu achava que dava tudo do bom e do melhor … não fazia sentido. Como cães tão bem cuidados poderiam desenvolver doenças tão graves tão cedo? Não podia ser “só genética”. Foi quando resolvi questionar o que sempre aceitei como verdade e a virar noites pesquisando e estudando.

Achei muita coisa interessante sobre o impacto da alimentação natural, mas tudo “lá fora”, até que … caí num grupo de alimentação natural para cães no Oktuk! Criado pela maior autoridade no assunto do Brasil, a Veterinária e Prof. Flávia Saad, da Universidade Federal de Lavras, era um fórum onde ela dividia estudos e dados, e ajudava quem queria fazer comida em casa. Eram verdadeiras aulas!

Não existiam empresas desse ramo no Brasil, então cada um tinha que se virar. Rapidamente eu, vegetariana, estava comprando não só o dobro dos meus legumes, mas também coração bovino, pescoço de frango, músculo, fígado, mocotó, sardinha …  eu ria para não chorar olhando meu carrinho. Mas Boneca merecia, todos mereciam. Ela ficou super bem, não emagreceu, não enjoou, e ficou linda e feliz até o dia em que São Francisco a quis como companhia, 3 anos depois.

A essa altura eu já tinha entendido que a conversa de “tecnologia na alimentação” era bem questionável e a alimentação natural tinha passado a ser regra em casa, para cães e gatos. Comprei um freezer, um belo processador e uns panelões. 3 horas dos meus domingos eram dedicadas a fazer comida para meus bichos, para a semana toda. Os resultados foram incríveis! Gita, que lutava com a obesidade desde sempre, àquela altura comida um pingo de ração e vivia com fome, entrou em forma em 3 meses, comendo um pratão e feliz da vida. Ludwig foi para a Exposição Nacional do Rottweiler e as pessoas ficaram loucas com sua forma física. Nessie e Vidya, ainda filhotas cresciam lindas e felizes. E os gatos … bom, na época tinham 12 anos. Uma viveu até os 20 anos, e o outro até os 21 … isso diz tudo, né?

Nas minhas consultorias comportamentais o tema central era sempre o bem estar do cachorro, além da harmonia na família. Eu ensinava as pessoas a ensinarem seus cães a conviverem na família e em sociedade, para que tivessem uma vida plena e feliz. Falávamos de todos os aspectos importantes, treinamento, educação, exercícios, afeto e … alimentação.

Na hora de falar de comida, eu dizia que fazia em casa e era um reboliço. Todo mundo achava o máximo, queria fazer também, mas … não tinha tempo, não tinha espaço, não tinha receita, etc, etc.

– “Abre uma empresa, Dani, abre!” Era o que eu mais ouvia. E morria de pena dos cachorros. Eu via a diferença na minha casa e queria espalhar a ideia. 

Então fui pensando: Eu abri a primeira hospedagem-spa do Rio, com espaço, interação, piscina e felicidade ao invés de canis ou gaiolas. Com a LordCão revolucionamos o conceito de adestramento, introduzimos aulas em grupo e a prática de ensinar ao dono, e não ao cão. Porque não “inventar moda” de novo e criar  a primeira cozinha de alimentação natural da cidade? Quem sabe …

E aí, como as coisas acontecem quanto têm que acontecer, apareceu na minha aula em grupo uma moça chama Antonia com uma filhote de Akita. Conversando, ela disse que só tinha conseguido controlar as alergias da Okami fazendo comida em casa … e então … alguns almoços depois …  nascia a PetChef. Foram meses de planejamento, obras, contratação de nutricionista, testes de receitas, sistema, site e todo o resto, até que em março de 2013 abrimos nossas portas!

E o resto é história! Crescemos, amadurecemos, pessoas saíram, outras entraram, nos mudamos, trouxemos dois dos melhores nutricionistas para nosso time, as melhores máquinas e os processos mais seguros, inovando sempre. Tudo isso sempre com cuidado e atenção de gente que gosta de verdade de animais e de fazer comida!

Depois de 12 anos, é muito bom ver como essa decisão impactou tantas famílias. Cada mensagem que recebemos, cada pet que ganha mais saúde e vitalidade, me confirma que esse caminho faz sentido.

Se há algo que aprendi nessa jornada, é que precisamos conhecer para poder cuidar. A Okena existe para quem, como eu, acredita que nossos animais merecem mais do que o básico. Eles merecem respeito, amor e escolhas conscientes.

Celebrar esses 12 anos é celebrar cada cliente que decidiu olhar além, que entendeu que saúde começa no prato e que optou fazer parte dessa mudança. Obrigada por fazer parte dessa história! Seguimos juntos, sempre aprendendo, sempre evoluindo.

Rio, março de 2025
Daniela Prado
Sócia Fundadora Okena PetChef

Como encontrar um bom criador de cães

Em nosso texto Como Escolher um Cão, falamos sobre adoção ou compra de cães. Durante o texto, mencionamos que quando a opção é a compra, só se deve comprar filhotes em bons criadores. Aí vem a pergunta: O que é um bom criador, e como encontrá-lo?

 

Onde procurar?

 

Vou começar pelo mais fácil: como encontrá-lo. Isso já foi um grande problema, mas hoje em dia, com a facilidade de comunicação via internet, ficou bem mais fácil. Você pode pesquisar Clubes de raça, sites dos criadores, canais especializados e mídias sociais. E claro, pedir indicação para veterinários ou para donos de exemplares da raça que deseja. Nós não indicamos a compra de filhotes em pet shops ou feiras.

Uma vez encontrados alguns criadores (sempre contate mais de um), falta descobrir se são bons. Para isso vamos a algumas dicas:

 

1. Veja se ele tem conhecimento da raça.

 

Eu ia colocar em primeiro lugar “amor pela raça”, mas seria um erro. Quando falamos em “criação”, amor não basta. Muitas pessoas amam verdadeiramente a raça que possuem, mas por falta de conhecimento acabam prejudicando o futuro da mesma, fazendo cruzamentos errados ou cruzando exemplares que não deveriam reproduzir.

Um esclarecimento importante é que qualquer pessoa que cruze cães se torna um criador. Isso inclui aquela vizinha que cruza seu casalzinho de salsichas uma vez por ano e diz “eu não sou criadora, só cruzo porque gosto da raça”. Do momento em que nasceram filhotes, ela virou criadora sim. É importante que as pessoas se conscientizem disso. Colocar vidas no mundo é uma tremenda responsabilidade, e um ato que deve ser encarado com seriedade.

Quantas pessoas cheias de boas intenções cruzam labradores hiperativos? De cores que não se pode misturar (não é só estética, afeta saúde e temperamento)? Golden retrievers sem controle de displasia? Rottweilers agressivos? Cockers malucos? Poodles com cataratas? Terriers histéricos, dálmatas agitadíssimos? A lista é interminável. Essas pessoas são boas pessoas, geralmente até bons donos, mas péssimos criadores. Pois mesmo sem intenção, colaboram com a degeneração da raça que tanto amam. Quem tem mais de 40 anos lembra do que aconteceu com os pequineses nos anos 80 … Então, não basta ter amor, o criador tem que ter conhecimento e responsabilidade.

 

Pergunte tudo sobre a raça

Seu padrão físico e de comportamento, as doenças mais comuns, os defeitos, as qualidades, a quem ela se adapta ou não, os cuidados necessários. Um bom criador te mostrará sempre os dois lados, até mesmo enfatizando os defeitos e dificuldades, já que geralmente são estes os responsáveis por devoluções a abandonos. Raça perfeita não existe, todas têm seus prós e contras, e nenhuma serve para todo mundo.

Desconfie de criadores que criam muitas raças, ou que mudam de raça conforme a moda.

 

2. Veja se ele conhece sua linhagem e seus cães

 

Peça explicações sobre a linhagem que ele escolheu e sobre seus cães em particular.

Em todas as raças, existem várias linhagens de cães, que geralmente foram desenvolvidas pelos primeiros criadores da raça, e/ou por criadores que tinham algum objetivo específico. Muitas vezes a diferença é física, mas geralmente diz respeito ao temperamento, coisa que influenciará decisivamente a relação do filhote com seu novo dono. Um bom criador sabe as características da linhagem de seus cães, suas aptidões e possibilidades. Um criador que não saiba que linhagem possui (tem uns que nem sabem que isso existe…), nem explique porque a escolheu … esqueça! Você certamente conhece alguém que levou para casa um lindo filhote de labrador tendo em mente um obediente guia de cegos, quando na realidade comprou um caçador de patos cheio de energia!

 

Árvore genealógica importa

Nesta hora, o bom criador vai mostar e explicar os pedigrees dos pais da ninhada, dizer porque escolheu este cruzamento e o que espera dos filhotes. É a hora de checar os exames de saúde dos pais da ninhada. Os mais comuns hoje em dia são: radiografia coxo-femural e de cotovelos, exame de patela, exames cardíacos e exames oftálmicos. Mas isso varia de raça para raça, o melhor é pesquisar sobre a raça escolhida antes da visita para saber o que pedir.

 

Os indivíduos também

Também é importante que ele conheça bem seus próprios cães. Pode parecer estranho para o leigo, mas infelizmente ainda é comum criadores ruins terem cães que vivem em canis ou gaiolas, que não convivem com o dono nem com sua família. Nesse caso, como ele poderá saber como é seu temperamento? São muito agitados? São calmos? Algum é medroso? Mordem? Então peça para ver os cães, peça para que sejam soltos com você para que você possa observar seu comportamento e interação. E peça uma descrição de cada um. Isso vale tanto para raças pequenas como grandes, e mesmo para as raças de guarda. Cães de guarda não devem ser feras assassinas, devem ser cães seguros e sociáveis na presença do dono. Lembre-se que temperamento e saúde são genéticos, então os pais e a linhagem de seu futuro bebê são muito importantes.

 

3. Sinta se o criador está querendo se livrar logo dos filhotes

 

Um bom criador cria por amor à raça, e às suas qualidades. Desta forma, a última coisa que ele/ela quer é que um de seus filhotes vá para uma família aonde não irá se adaptar e ser amado e apreciado como deve. Bons filhotes são minoria em qualquer raça, então, quem cria bem tem sempre quem queira seus “bebês” e por isso, estará mais interessado em ter certeza de que você será um bom dono do que em te convencer a comprar o filhote.

Fora isso, ele também deve ter espaço e disposição para manter os filhotes até pelo menos os 50 dias de idade. Mesmo desmamado, nenhum filhote deve sair da companhia da mãe e dos irmãos antes disso, é muito importante para seu futuro desenvolvimento.

 

4. Tem que ter pedigree sim!

 

Muitas vezes a pessoa que quer somente um companheiro pensa: não preciso de pedigree, não quero criar nem fazer exposições. Grande engano. Se você está comprando um filhote de raça, o mínimo que o criador tem que fazer é registrar toda a ninhada. Um pedigree custa hoje (maio de 2023) R$63,00, sabia? Pois é, aquela conversa que pedigree é caro é mentira de criador ruim, que vende ninhadas que não poderiam ser registradas, mas não diz isso. Ele mente, diz que é caro e aí a pessoa abre mão, achando que não faz diferença.

Outra mentira comum é que o novo dono é que tem que registrar o filhote. É impossível, só o dono da cadela mãe da ninhada pode registrar os filhotes. Mesmo com cópia de todos os documentos, o comprador nunca poderá registrar seu cão, é uma regra internacional, válida em todos os órgãos da cinofilia.

Pedigree é o mínimo

Apesar isso tudo, o pedigree garante apenas que os filhotes são puros, filhos de pais daquela raça. Só isso. Ele não garante qualidade, nem saúde, nem temperamento. Por isso são necessários os outros controles e testes, o pedigree é apenas um registro genealógico. Por isso é barato. Então pense bem, você acha mesmo que um criador que não gasta R$63,00 por filhote para registrar, e com isso provar que seu filhote é puro, vai ter feito todos os exames de saúde e seleções de estrutura e temperamento que a raça exige? Ele vai ter gasto em vermífugos e vacinas de qualidade? Ele usa alimentação de qualidade? Será?

Outra situação é a da pessoa que não registra a ninhada porque acha que não é criador (aquela vizinha dos salsichas mencionada no início do texto, lembra?), que pedigree é bobagem, o que importa é o amor pelos bichinhos. Bom, a questão é que esta pessoa não deveria estar cruzando seus cães e vendendo filhotes, pois dificilmente terá feito os controles necessários, voltamos ao problema do item 1. Se tiver feito tudo certinho, menos o registro, tudo bem, mas sinceramente, até hoje eu nunca vi isso acontecer …

Mas se você realmente não faz questão de nada disso, tudo bem, realmente é muita coisa para checar só para ter um cãozinho em casa, mas então não compre um filhote teoricamente de raça, adote um focinho carente, ele te fará tão feliz quando o de raça e não dá esse trabalho todo para escolher. Mas, se é para ser de raça, que tenha tudo direitinho, se não, não faz sentido. Por que comprar um filhote sem nenhuma garantia de origem, saúde, estrutura ou temperamento da raça escolhida? Se é para ser sem histórico, volto a dizer, melhor não comprar.

 

5. Você poderá contar com o criador no futuro?

 

Por mais que você estude e pergunte, dúvidas surgirão, e imprevistos também. Um bom criador se mostra disponível para te ajudar e assessorar durante toda a vida de seu filhote. Alimentação, exercícios, treinamento, exposições, acasalamentos, você pode resolver fazer um monte de coisas com seu filhote, e precisará de alguém experiente para lhe ajudar a tomar decisões e escolher o melhor para ele. Os assuntos de saúde devem sempre ser tratados por seu veterinário de confiança, mas um criador experiente poderá te ajudar a enfrentar eventuais problemas com mais segurança. Fora o fato dele conhecer bem a linhagem e a família de seu cão e poder dar ao veterinário informações que de outra forma ele não teria acesso. Se você nunca precisar dele, ótimo, mas ele tem que ser disponível.

 

6. O preço dos filhotes condiz com tudo isso?

 

Agora você já tem uma idéia de como funciona uma criação correta. O criador correto e ético:

  • só usa cães dentro do padrão
  • faz os exames de saúde necessários
  • faz os testes de temperamento necessários
  • não acasala cães com faltas para a raça
  • registra e microchipa seus filhotes
  • usa uma boa alimentação
  • vermifuga e vacinas seus filhotes

Além disso, ele estuda a evolução da raça, vai a eventos, conversa com as pessoas, enfim, dedica uma parte de sua vida e seu tempo a seus cães.

Sabendo disso tudo, quando custa um filhote desses ?

Não dá para botar um preço fixo aqui, até porque tudo isso varia de raça para raça e até de estado para estado, mas leve em conta que esse filhote nunca poderá custar R$500,00, como aqueles do anúncio no Mercado Livre. O bom criador não vive da criação, mas sempre precisa pelo menos repor parte do investimento que faz e dos gastos que tem com seus cães, então deverá cobrar um preço justo por seus filhotes. Leve em conta que seu cão deverá viver uns 12 anos, então o preço de custo dele será o menor dos seus gastos …

 

Que tal adotar ?

Mais uma vez vou lembrar: você não quer nada disso? Achou tudo um exagero? Tudo bem, adote um filhote sem controle, mas não compre! Não ajude os fabricantes de cães a produzirem filhotes que muitas vezes terão problemas de sérios de saúde e/ou de temperamento para ganhar dinheiro fácil. Milhões de cães são sacrificados em abrigos todos os anos, e um grande número destes nasceu na casa de alguém ou num canil de fundo de quintal, não nas ruas. A única forma de acabar com a má criação e o comércio indiscriminados de cães é através da conscientização dos compradores. Bons criadores são necessários, pois sem eles as raças acabariam, aliás, sem eles as raças nem existiriam. São pessoas dedicadas, apaixonadas e perseverantes, que merecem todo apoio e respeito. Maus criadores têm que acabar, faça a sua parte.

Links relevantes: Confedereção Brasileira de Cinofolia, Brasil Kennel Klub, GARRA, Quatro Patinhas, Focinhos de Luz e outras ONGs.

Artigos imortantes para a saúde do seu filhote: Por que trocar a ração do meu pet por alimentação natural? Cachorro chato para comer