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Por que meu cachorro não pega a bolinha?

Outro dia na praia vários cães brincavam. Uns nadavam, uns cavavam e outros jogavam bolinha com seus responsáveis. Uma amiga perguntou: “Por que alguns cachorros adoram essa coisa de pegar bolinha e outros não estão nem aí? “

Por incrível que pareça, a resposta é … genética! Querer pegar a bolinha é um impulso inato, e genético. Claro que ele pode ser aumentado ou diminuído de acordo com a criação, repetição e até treinamento. Mas o interesse pela bolinha, a forma de segurá-la e a predisposição para gostar de trazê-la de volta para a pessoa já nascem, ou não, com ele. Já com 49 dias de vida, quando muito criadores testam as aptidões de seus bebês para o trabalho, se vê a diferença, na mesma ninhada, entre os indivíduos. O mesmo acontece com as entidades de cães de assistência, quando selecionam “candidatos” para seus programas de treinamento.

Os testes são muitos, mas entre eles tem um em que se amassa uma bolinha de papel e se joga a mesma a uns 2 metros do filhote. Alguns filhotes olham a bolinha jogada e não fazem nada, outros vão até ela, cheiram e vão embora, outros pegam a bolinha e saem correndo e outros pegam e voltam para o humano que está fazendo o teste. É a coisa mais bonitinha do mundo ver as diferentes atitudes em cada filhote.

Essa ação aparentemente boba nos mostra coisas muito interessantes.  Ir ou não atrás da bolinha nos mostra instinto de caça/presa do filhote, o jeito como ele pega a bolinha nos mostra o tipo de mordida que ele tem, e o que faz depois, seu nível de independência, possessividade e sua vontade de trabalhar em conjunto com o humano.

Não é à toa que se existem alguns padrões e resultados esperados de acordo com as raças, mesmo sabendo-se que haverá diferença entre os indivíduos. O pessoal dos cães de esporte como o IGP vai querer uma caça alta, mordida cheia e forte, e possessividade. O povo do agility quer muita energia, foco e vontade de trabalhar. Já a turma dos cães de terapia vai olhar mais a vontade de cooperar, a energia média/baixa e a baixa reatividade.

Para os cães de companhia, objetivo mais comum nas famílias, queremos tudo no “médio”, o que nos dará um companheiro alegre e seguro, mas “relaxadão” no dia a dia. Poucas pessoas estão preparadas para ter um cão com aptidões altas para trabalho, pode acreditar!

Claro que isso tudo não é visto somente no teste da bolinha! Os testes para filhotes, dos quais o de Volhard e o de Campbell são os mais famosos, têm uma série de etapas e exercícios, além de local, idade e forma certos de serem aplicados. Além disso precisam ser aplicados e interpretados por um profissional experiente. Os resultados são fascinantes.

Mas voltando à nossa bolinha na praia, é por tudo o acima, que alguns cães naturalmente “brincam de bolinha” até o braço do dono cair, enquanto outros olham com aquela cara de “você que jogou … vai buscar ué”, e outros parecem sinceramente nem saber o que é uma bolinha …

Então, se o seu peludo parece gostar da brincadeira, é só brincar com ele e ir “afinando” o comportamento, que rapidamente ele estará craque. Já se ele não tem esse interesse todo, mas você quer ensiná-lo, tem que introduzir a brincadeira de forma positiva, e associá-la ao prazer de brincar e ganhar atenção. Mesmo não sendo um comportamento natural para ele, ele pode aprender que é uma forma prazerosa de interagir, gastar energia e se relacionar, e pode passar a gostar a brincadeira. Ou não … tem cachorro que nunca vai se interessar, e não faz sentido forçar o comportamento, já que é para ser uma brincadeira, e não obrigação.

Minha amiga me olha por um instante e afirma: “Tipo gostar de trilha.” E diante do meu olhar incrédulo ela continua: “Tem os malucos como você que adoram, tem os que vão pela companhia se convencidos, e os que nem eu que não vou nem que me paguem! Você é aquele Labrador alí e eu o Vira-latinha, hahaha!”.


E diante desse brilhante resumo … fui dar um mergulho.