Lidando com Cães “Chatos” para Comer

Muitos tutores nos ligam preocupados porque seus peludos são “ruins de boca”, ou “cheios de manias” para comer, e eles querem saber se isso “vai passar” com a nossa comida, ou se com o tempo ele vai “enjoar” da comida. Em outros casos a queixa é que o peludo começou a escolher receitas e só comer as que prefere.

Quando um cachorro começa a comer mal a primeira coisa que devemos fazer é checar com nosso veterinário de confiança se está tudo bem com ele. Um exame clínico acompanhado de um hemograma ou outro exame complementar pode descartar causas físicas como doenças de carrapato, gastrites ou outras.

Constatado que não há problema físico, nos vemos diante de uma questão comportamental.

Em todas as espécies, existem os indivíduos que comem para viver e os que vivem para comer (aqui no escritório o segundo grupo impera!). Se seu peludo nasceu para comer, você nunca terá problemas. Pode dar comida boa, comida ruim, até pedra moída que o carinha joga para dentro sem pensar duas vezes. Se esse aí parar de comer um dia, corra para o vet que a coisa é séria!

A maioria dos cães é assim, afinal, comer é um instinto básico, e quanto mais forte ele for, maior é a chance de sobrevivência desse indivíduo e de perpetuação da sua carga genética na natureza. Mas… a nossa seleção artificial bagunçou um tanto esses instintos, perpetuando indivíduos, linhagens e até raças sem o chamado “impulso de comida”.

Então, se seu peludo é desses, e só come o necessário para se manter vivo, a hora das refeições pode ser meio frustrante, afinal, a gente escolhe a melhor comida para nosso filhote e quer que ele tenha enorme prazer em comer! Aí ele olha o prato com aquela cara de “tédio”, come 3 bocadas e vai embora …

Podemos ter alguns desdobramentos para essa situação:

  1. O seu peludo só precisa de menos comida do que está sendo oferecida a ele para se sentir saciado e se manter saudável. Tem cão que até pula refeição de vez em quando e continua super feliz e em forma. Não há problema nenhum nisso, cabe a você simplesmente desencanar do assunto, diminuir a quantidade de comida, e quando ele não comer, tirar a comida e só oferecer de novo na próxima refeição. Nós humanos tendemos a achar bonito o cachorro “cheinho”, mas fato é que se olharmos o estado dos animais na natureza, o certo é ser esbelto mesmo.
  2. A coisa se complica quando o peludo aprende que é importante para você que ele coma, e que isso pode ser usado por ele para conseguir o que quer. É uma situação bem chata, pois desvirtua esse impulso importante (comer para sobreviver), e por isso geralmente vem acompanhada de outros problemas de comportamento. Esse quadro normalmente começa quando nos dias em que ele não comia bem o dono “fazia de tudo” para ele acabar o prato. Trocar a comida, misturar franguinho, dar na boca … tudo isso ensina a ele que você quer que ele coma, mas que se ele quiser ganhar um monte de atenção e/ou guloseimas extras, ele tem que não comer. Dependendo do temperamento do peludo, ele pode levar essa queda de braço ao extremo e não comer nada que não seja escolhido por ele.

Então o que fazer? Como melhorar a vontade de comer de um cachorro ruim de boca?

A primeira coisa a fazer é tirar a importância e a pressão que nós humanos colocamos na comida e no ato de comer. Comer, ou não comer, é natural para a maioria dos animais, e deve ser encarado assim pelo cachorro, e por nós. Outras duas coisas importantes de saber são: que cachorros gostam de rotina, a repetição dá a eles segurança, e podemos usar isso a nosso favor; e que eles são animais sociais, que dão valor à interação e aos laços sociais.

Com isso em mente, podemos organizar alguns passos:

  1. Defina dois horários para as refeições (3 se for filhote até 6 meses).
  2. Não demonstre muita atenção na preparação da comida, nem dê atenção excessiva a ele na hora da refeição.
  3. Ensine a ele o comando “senta”, e acostume-o a esperar sentado até que o prato seja colocado no chão e ele autorizado a comer. Isso deve ser treinado em outros momentos, usando petiscos ou brinquedos, para não causar stress na hora da comida.
  4. Se ele não comer tudo na hora, tire o que sobrar com naturalidade e só ofereça comida de novo na próxima refeição. No início, você pode instituir uma refeição intermediária caso ele não coma nada, para ele não ficar muitas horas sem comer. Mas a rotina dessa refeição extra deve ser a mesma das principais.
  5. Não fale com ele, não mexa na comida nem misture coisas caso ele não coma, haja naturalmente, tire o prato e vá fazer outra coisa. Nada de discursos ou reclamações! E nada de dar atenção se ele vier fazer gracinhas nessa hora, carinhos e brincadeiras só quando ele se distrair.
  6. Diminua os petiscos e extras no período de reeducação, é importante ele estar com fome na hora de comer.

Algumas dicas para o processo:

  1. As refeições podem ser junto com as da família, ou logo a seguir, desde que num lugar específico para ele e sem ganhar nada da mesa.
  2. Se por acaso ele pedir a comida… não dê. Espere até a hora que você determinou para oferecer a comida a ele. Isso não é maldade, é importante ele aprender que comida é um recurso valioso e que não está à disposição dele a qualquer momento.
  3. Quando for ensinar o “senta”, procure fazê-lo de forma divertida, longe das refeições, usando petiscos saudáveis ou brinquedos como prêmio. Cuidado para não encher a barriga dele de petiscos! Dê preferência aos brinquedos se ele responder bem. Com o tempo, deixe-o cada vez mais tempo (máximo 2 min) sentado até premiar e liberar para comer, paciência e auto controle são importantes! Introduza a rotina de reeducação só quando esse comando estiver bom o suficiente para você colocar o prato no chão sem presa.

Esperamos que estas dicas ajudem. Se seu peludo tem algum problema mais sério de comportamento o ideal é que você procure um treinador de confiança. Nós indicamos as meninas da LordCão e conseguimos 10% de desconto para clientes PetChef!

 

Write a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *