Como escolher um cão: Opções para ter o companheiro que você sempre sonhou

Por Daniela Prado – LordCão Treinamento de Cães e PetChef

Quase toda famílias passa por aquele momento complicado no qual a criança acorda de manhã e ao invés de dar bom dia solta um: Mãe, eu quero um cachorro.

Passado o pânico inicial, vem a dúvida: queremos um cachorro? Que cachorro?
Por nossa tradição e cultura, quando a resposta à primeira pergunta é “sim”, o pensamento seguinte é: Que raça? Onde comprar?
Muitas vezes a pessoa não tem preferência por uma raça ou tipo, mas simplesmente acha que tem que escolher uma raça, já que quer um cachorro. Mais ainda, ela acha que além de escolher uma raça tem que comprar um filhote em algum lugar.
Pois é, um dos objetivos deste texto é mostrar que existem outras opções, opções estas que muitas vezes são melhores que a compra de um filhotinho para o Natal.

Para facilitar, vamos por tópicos:

1. Raça

As raças derivam das funções que os diferentes tipo de cães exerciam no passado, em suas regiões de origem. Por exemplo, na Escócia, o cão pastor de ovelhas era o Border Collie, na Inglaterra, o Old English Sheepdog, na região de Flandlers ou Bouvier . Na Alemanha, o boiadeiro era o Rottweiler, na Austrália o Australian Cattle Dog e por aí vamos. O mesmo acontecia com os cães que controlavam roedores (terriers), os de caça (hounds) e até mesmo os de combate. Ou seja, as pessoas escolhiam os cães de acordo com o que queriam fazer com eles, e não por seu visual.

Com o tempo, muitas dessas funções foram desaparecendo e muitos criadores passaram a criar raças somente por seu aspecto físico (o que é um erro, mas isso é outro artigo), mas mesmo assim, os traços de comportamento que foram fixados ao longo de gerações durante a evolução da raça estarão lá. Um terrier será sempre um terrier, um sabujo será sempre um sabujo, e mesmo que não levemos isso em conta na hora de escolher nosso companheiro, teremos que lidar com as conseqüências. E aí acontece o que nós da LordCão vemos muito mais do que gostaríamos: donos frustrados e cães infelizes, por simples incompatibilidade.

Ou seja, se você sonha com “aquela” raça, ou acha aquela outra liiiiiiinda, pesquise antes de decidir, veja se a raça é compatível com seu modo de vida e suas expectativas antes de comprar seu cão. Se for, ótimo, se não for… procure uma que seja. Tentar mudar a natureza de um cão dificilmente funciona.

Mas e se você nunca sonhou com nenhuma raça em especial? E se, como a grande maioria de nós, você está pensando: Função? Que função? Só quero um cachorro para me fazer companhia e brincar com as crianças!

É fato que hoje, a grande maioria das pessoas tem cães apenas para companhia, no máximo para ser um incentivo para caminhadas ou corridas. Algumas pessoas querem cães para guarda ou para esportes como agility, mas estes são poucos, a maioria de nós quer apenas um focinho gelado e um rabo abanando quando chegarmos em casa à noite.

Se você é uma dessas pessoas, você não precisa de uma raça, mas sim de um indivíduo, de um cão que se adeque a seu estilo de vida, independente de raça. Esse indivíduo deve ser escolhido com cuidado, mas de forma pessoal, e não genérica.
Para isso, adotar um mestiço ou belo vira-lata pode ser a melhor solução. Vira-latas, ou SRDs (Sem Raça Definida) têm algumas vantagens. Primeiro, são geralmente mais saudáveis que os de raça, pois sua variedade genética é maior e por isso têm menos doenças de fundo genético como cardiopatias, displasia, epilepsia, alergias, etc. Segundo, cada um é diferente e único, o que, convenhamos, é um charme, você terá um modelo exclusivo! E terceiro, são de graça, existem muitos abrigos bacanas que entregam cães saudáveis, vacinados e até mesmo castrados, o que já é uma grande economia (lembrando que uma doação para o abrigo é sempre de bom tom, afinal eles poderão ajudar outros cães).

Mas existe diferença entre mestiço e vira-latas (srds)? Existe. Comumente se chama de mestiço o cão que resulta do cruzamento de duas raças, ou de um cão de raça com um vira-lata. Já vira-lata ou srd é o cão “sem raça definida”, aquele que pode até ter alguma raça no sangue, mas esta não é obvia ou não se sabe.

A diferença básica é que no mestiço, muitas características físicas e comportamentais das raças envolvidas estão presentes, enquanto que no vira-lata não, nele o que aparece são somente as características pessoais dos pais.

2. Comprar ou adotar?

Os parágrafos acima já respondem boa parte desta pergunta, mas não toda, pois muitas vezes pode-se adotar um cão de raça. Muitos abrigos e até criadores responsáveis resgatam cães de raça, cuidam, castram e os colocam para adoção.
Ou seja, comprar é a opção se você deseja um filhote de uma determinada raça, seja por aparência ou função. Neste caso, procure um bom criador, que faça todos os testes e controles de saúde e temperamento necessários e compre um legítimo exemplar da raça que escolheu, portador não só das características físicas, mas também do temperamento esperado.

Se a raça não for importante para você, ou sua opção for um cão adulto, adote. oNeste caso, pesquise abrigos, visite e escolha com cuidado um indivíduo que seja compatível com sua rotina e estilo de vida. Leve em conta tamanho, grau de atividade e temperamento. Nos bons abrigos, os voluntários e tratadores conhecem temperamento dos cães e podem ajudar na escolha. Faça muitas perguntas, converse, observe os cães juntos e separadamente. Quanto gostar de algum, dê uma volta com ele, fique um tempo sozinho com ele e veja como reage. Não seja impulsivo, nem tenha pena e leve o primeiro que pular no seu colo; faça uma adoção consciente e responsável. Não dá para salvarmos todos, então que seja o que será mais feliz em sua casa e lhe fará mais feliz também.

3. Filhote ou adulto?

Essa é minha pergunta preferida. Trabalhando com cães há 20 anos, tendo escolhido, treinado, comprado, vendido e recolocado um monte de cães, fico muito à vontade para responder que geralmente um adulto é muito mais recomendado que um filhote. Já perdi a conta de quantos filhotes dados para avós e tias foram devolvidos ou doados porque as pobres senhoras viviam mordidas, arranhadas, derrubadas e com a casa suja; quantos outros tiveram o mesmo destino porque seus donos tinham que trabalhar o dia todo e eles choravam quando deixados sozinhos até serem expulsos do prédio, e quantos outros cresceram presos nas cozinhas de seus donos porque mordiam as crianças e destruíam o apartamento.

Em todos esses casos, a compra do filhote foi feita com a melhor das intenções, mas sem levar em conta que filhotes são filhotes, e se comportarão como filhotes, a adoção (ou compra, mas é mais raro) de um adulto teria sido a melhor opção.
Cães adultos são mais calmos, não mordem as mãos, não arranham, não pulam e não destroem (existem exceções, é claro, mas são exceções, e voltamos à questão de escolher bem). São mais fáceis de treinar para fazerem suas necessidades no lugar certo e para ficarem sozinhos, e, o mais importante, já tem sua personalidade definida. Quem não conhece um lindo filhote que cresceu e virou o Godzila? Pois é, a idéia de que um filhote será bonzinho e amigo das crianças só porque foi criado com elas é um grande engano. Grande parte do temperamento dos cães é herança genética, mas só aparece com o amadurecimento. Muita gente acha que os cães “mudam” depois dos 2 anos, mas não é isso – a verdade é que nessa idade eles deixam de ser filhotes e apresentam seu real temperamento.

Ou seja, um adulto que goste de crianças vai sempre gostar, os que gostam de colo vão sempre gostar, os que são mal humorados continuarão sendo. Você já sabe o que tem em mãos, basta obter essas informações de quem estiver cuidando do cão. Neste ponto você está pensando: mas e o apego? Um adulto não se apega da mesma forma. Ledo engano. Cães adultos se apegam tanto quanto filhotes, e se transformam em companheiros sensacionais. É claro que eles precisam de um tempo para conhecer as pessoas e ganhar confiança (assim como o filhote), às vezes têm alguma mania ou medo que deverá ser trabalhada, mas nada que duas semanas de paciência e dedicação não resolvam. Especialmente no caso de cães para idosos, as vantagens de um adulto são inomináveis, é um companheiro pronto, e não uma bolinha de pêlos que era para ser um prazer e vira um grande problema (tá bom, tá bom no caso da sua tia-avó materna deu tudo certo, mas garanto que teria dado com um adulto também).

Mas então ninguém deve adotar/comprar um filhote? Claro que deve! Se você tem tempo, disposição e condição física de educar e dar a atenção que o filhote precisa, vá em frente. Eu adoro filhotes, sua energia, suas artes e acompanhar seu crescimento são experiências deliciosas, mas não para todo mundo, e é importante que as pessoas saibam que existem opções. Nosso objetivo com este artigo é mostrar essas opções e explicar um pouco cada uma delas, para que, qualquer que seja sua escolha, ela seja consciente e traga muitos anos de felicidade para você e para seu novo companheiro!

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